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ARTIGO 221: E quando estala o verniz da democracia…

Jornal Opais por Jornal Opais
8 de Março, 2024
Em Opinião

A escolha do titulo para o presente artigo bem como a ideia final que tentaremos passar serão alvo de escrutínio apurado e de interpretações variadas, mas a ideia que queremos passar é que até a democracia, aquele regime que ninguém chama de regime, mas que o ocidente quer que seja imposto de qualquer maneira em todo mundo, tem os seu verniz e como todo bom verniz, ele estala, e ai ficamos a conhecer o verdeiro aspeto das unhas de cada nação.

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A democracia apelidada, pelo ocidente e seus repetidores, como o sistema governo mais livre, perfeito, justo e apropriado para todo globo, também é alvo de varias analises e decantações, pois apenas separando os elementos líquidos dos sólidos podemos ver a verdadeira face do problema.

É assim que em abril de 2015, Seyed Mehdi Shojaee, romancista iraniano, lançou a obra “Democracy or Demo crazy” o que rapidamente nos leva a interpretar, se estamos perante a tal democracia ou sistema do “mais louco”, pois o Demo Crazy, desfazendo ficaria, “The More Crazy” em português teríamos “o mais louco de todos”.

No romance de Seyed Mehdi Shojaee, o enredo tem haver com um monarca que depois de chegar ao poder por sucessão, decide trocar a monarquia pela democracia, dando ao povo o poder de escolher presidente ou chefe de governo, sendo os candidatos um dos seus 24 filhos, todos tendo em comum o nome Demo.

Votação apôs votação, e o povo com a esperança de que o próximo candidato seria melhor do que o anterior, chegando a exaustão o povo prefere escolher o último filho do ex Rei, que por sinal tinha atitudes pouco ortodoxas e era apelidado de Crazy (louco), contudo esta aposta no mais louco (Demo Crazy) não se revelou igual ao dos outros irmãos pois este mostrava que iria fazer, ainda que coisas loucas, algo diferente dos seus irmãos.

O que o romancista iraniano quis mostrar é que a democracia é imperfeita e que ganha não é o melhor, mas sim o que consegue convencer o povo cansado de escolhas e escolhinhas e que contrariamente ao que a democracia advoga, o povo estar é sempre limitado a um grupo de candidatos de uma ou várias famílias politicas ou consanguíneas.

Se prestarmos atenção Adolf Hitler e Benito Mussolini, chegaram ao poder democraticamente. Portanto a democracia tem um verniz que esconde unhas imundas e um carnicão horrível, quando Julian Assange para o ocidente, é um criminoso por espalhar informações classificadas sobre os EUA, mas de fossem informações classificadas sobre a Federação Russa, este seria um herói ocidental.

Ainda assim o verniz da democracia está a estalar e cada vez mais em todo mundo ocidental, está mais difícil ser democrata todos os dias, ou como se diz por aqui “ de manha, de tarde e de noite” as democracias ocidentais estão esticadas ao máximo e não resolvem os problemas das pessoas.

As pessoas devem ser o principio e fim da estruturação dos sistemas de governação, se uma democracia não serve para dar bem estar, oportunidades iguais e elevação de caracter ao ser humano, então este sistema não serve. O verniz da democracia estala, não só quando os candidatos são, fúteis, vazios, desonestos ou loucos, mas quando as maiorias relativas não se entendem e não se consegue governar.

Quando se diz não se entendem, é não se entender de facto, por razões obvias e objetivas. As realidades históricas dos países são diferentes e dai percebermos que os tais entendimentos a esquerda ou a direita não resultam, mesmo em países com sistemas democráticos seculares.

Em Angola, será que alguém acredita que, com uma vitoria por maioria relativa do MPLA, seria governável com o beneplácito de uma oposição comandada pela Unita? A resposta é não, e é não porque a oposição não se entende com quem governa, e em coisas simples, como o próprio Orçamento Geral de Estado, portanto não estamos a vislumbrar acordos sobre matéria qualquer.

Sinceramente uma maioria relativa tornaria esse país ingovernável, ou seja, a democracia no seu melhor não serve para Angola, pelo menos neste momento.

Angola precisa de uma governo estável, para ter força e coragem para fazer reformas duras e incontornáveis, tais como, continuar a retirar os subsídios aos combustíveis, continuar a luta contra a corrupção, reformar a justiça, a segurança social e a administração publica, converter a informalidade com benefícios e não com decretos, continuar o processo de reforço de competências administrativas e financeiras aos municípios para que tenhamos autarquias sustentáveis e não meros chavões políticos e partidários.

Enquanto Angola estiver com estes handicaps convêm ter uma “democracia de maiorias absolutas” sabemos que tal não existe, mas como o romancista iraniano mostrou, o mais louco será o mais acertado quando tiver margem e poder para governar.

Contudo convém aqui ressaltar que este problema não apenas de Angola, os países europeus estão com o mesmo problema, mas a rigidez da curvatura ideológica não os permite reconhecer.

Olhemos para os nossos companheiros portugueses, que advogam que a democracia é a salvação, onde um paragrafo de um comunicado do Ministério Publico faz cair um governo de maioria absoluta (desrespeitando por completo a vontade popular), um país com policias e militares na rua a causarem a desordem com manifestações cada vez mais musculadas, professores nas ruas a pedir atualizações salarias de a mais de 5 anos atras, os hospitais cheios e com tempos de espera estratosféricos, os preços da habitação incomportáveis para os rendimentos dos pensionistas e funcionários públicos e privados.

O xadrez político está sombrio, pois os dois partidos arco da governação e mais moderados e centristas, não vislumbram absolutas e a direita iriam precisar de fazer acordos com um partido racista, xenófobo, populista, sem programa e sem estratégia de governo, com um líder delirante, que tudo promete sem fazer contas, e é alienado da realidade mundial.

Por outro lado, um partido como o bloco de esquerda radical, que se assemelha a pior versão de um somatório do stalinismo e do partido comunista chines de há 50 anos, que apenas pensa em aumentar impostos a quem investe e cria riqueza.

A questão a que se impõe, é quem vai resolver os problemas das pessoas, hoje e agora, as pessoas precisam de soluções para ontem, mas enquanto os “pombinhos” de esquerda e de direita não se entendem as pessoas reais, de pele e osso ficam sem respostas.

Esta mesma democracia é que vai colocar num futuro muito próximo, governos de direita extremista em França, Alemanha e vários países defensores da globalidade dos povos.

A realidade é que a democracia não está a responder aos anseios das pessoas porque foi esticada ao limite, o que se precisa uma reforma na própria democracia, retirando critérios que a permitem ter “democrática de mais” ou aplicando critérios que a limitem por dentro. Percebemos que tais ações iriam descarateriza-la e torná-la diferente daquele chavão que estamos habituados.

Mas a verdadeira discussão deve centrar-se no princípio basilar da mesma própria democracia, estará a democracia a resolver os problemas das pessoas? Ou ao invés disso, serve apenas para abrir vias de entendimento entre grupos de amigos, comparsas políticos ou membros da mesma família, como os irmãos Demo.

 

Por: RUI MALAQUIAS

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