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Acessibilidade, inclusão e economia: o custo invisível de excluir pessoas com deficiência do mercado

Jornal OPaís por Jornal OPaís
16 de Janeiro, 2026
Em Opinião

A exclusão de pessoas com deficiência (PCD) do mercado de trabalho e da economia angolana representa um custo invisível elevado, estimado em perdas de 3% a 7% do PIB anualmente com base em benchmarks globais do Banco Mundial, o que para Angola (PIB projectado em cerca de 82-90 bilhões USD em 2025) poderia significar bilhões de kwanzas em produtividade perdida.

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Em Angola, com aproximadamente 656 mil PCD (2,5% da população de 36-39 milhões), a falta de acessibilidade, formação e inclusão produtiva agrava o desemprego, a dependência social e a informalidade, limitando o potencial de diversificação económica. Investir nisso pode transformar a inclusão em vector de crescimento sustentável.

Escala da Exclusão
Angola regista 656 mil e 258 PCD, equivalentes a 2,5% da população total estimada em 36-39 milhões em 2025, mas barreiras como custo elevado de equipamentos (cadeiras de rodas acima de 250 mil kwanzas) e ausência de infraestrutura acessível condenam muitos à imobilidade e exclusão do emprego e educação.

Essa população enfrenta desemprego crónico e pobreza extrema, agravados pela informalidade económica (acima de 70%) e baixa escolaridade, semelhantes aos obstáculos à inclusão financeira geral. O PNUD destaca que sem inclusão, Angola perde oportunidades em MPMEs e diversificação, com PCD sub-representadas no mercado laboral.

Custos económicos quantificados Excluir PCD do emprego custa 3-7% do PIB em perdas de produtividade, conforme o Banco Mundial; para Angola, com PIB de 82,81 bilhões USD projectados para 2025, isso representa 2,5-5,8 bilhões USD anuais em potencial não realizado.

Custos adicionais incluem maior despesa social (saúde, welfare), menor arrecadação fiscal e sobrecarga familiar, enquanto informalidade alta (bloqueada por falta de BI e literacia) amplia perdas.

Estudos africanos indicam que retificar acessibilidade inicial evita custos 20% maiores em reformas posteriores, um “custo invisível” que Angola, signatária da Convenção sobre Direitos das PCD, ainda não mitiga plenamente.

Oportunidades de crescimento Inclusão produtiva via acessibilidade e formação pode elevar participação laboral de PCD, gerando ROI alto: educação inclusiva aumenta renda nacional e capital social, reduzindo pressão em serviços públicos.

Iniciativas como centros integrados de serviços (ex.: carpintaria para PCD) e fábricas locais de dispositivos assistidos criam empregos e reduzem importações caras, impulsionando MPMEs. O PNUD apoia qualificação para PCD, mulheres e jovens, potencializando diversificação e atração de investimentos privados.

Estratégias de transformação – Investir em infra-estrutura acessível: Adaptar edifícios públicos e privados (bancos, habitação) reduz custos a longo prazo e abre mercados, como na ENIF 2025- 2027 visando 37% bancarização. – Formação e capacitação: Programas técnico-profissionais para PCD, com foco em línguas nacionais/gestuais, elevam emprego e imagem institucional, atraindo investidores.

– Políticas fiscais: Incentivos a empresas inclusivas, medindo impacto via INE, alavancam PIB em 3-7% Vector de crescimento colectivo Inclusão gera ecossistema virtuoso: empresas lucram, Executivo economiza, empreendedores inovam e PCD contribuem, alinhado ao PDN e AfCFTA para crescimento inclusivo. Alavanque isso agora – o custo invisível de inação é maior que nunca em 2026.

Por: DIOGENES LENGA

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