Há um problema silencioso que atravessa instituições, políticas públicas e discursos bem-intencionados: o improviso transformado em método. Não se trata da capacidade de adaptação — essa é necessária. Trata-se da ausência de planeamento sério, de continuidade estratégica e de avaliação real. Improvisa-se porque não se decidiu antes. Comunica-se porque não se estruturou. Reage-se porque não se pensou.
O improviso permanente cria a ilusão de movimento, mas produz estagnação. Multiplicam-se anúncios, eventos e iniciativas, enquanto os problemas estruturais permanecem intactos. O País parece ocupado, mas não avança na mesma proporção. Esta lógica tem custos profundos. Enfraquece a confiança nas instituições, desgasta os quadros técnicos e deseduca a sociedade para a ideia de que tudo se resolve no imediato.
A política transforma-se num exercício de sobrevivência diária, não de construção de futuro. Nenhum país se desenvolveu a improvisar. Nenhuma juventude prospera sem direcção clara. Nenhuma instituição se fortalece sem método.
O desafio não é fazer mais. É fazer melhor, com sequência, com critério e com responsabilidade. Planeamento não é rigidez. É respeito pelo tempo colectivo. Enquanto continuarmos a confundir agilidade com improviso, continuaremos a correr — sem sair do lugar. E a pergunta que fica é simples e incómoda: estamos a governar o presente ou apenas a tentar sobreviver a ele?
POR: EDGAR LEANDRO









