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A luta da gramáticaexplícita e implícita

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
5 de Agosto, 2026
Em Opinião

A língua, seja qual for, funciona em dimensões distintas das quais devem ser levadas em conta, quando elas não são tidas, geralmente, acaba por fazer emergir um clima de preconceito no dia-a-dia do falante não dominante de uma outra dimensão.

A sociedade é o patrono da língua (manda nela), ou seja, a língua per tence à sociedade e este último faz e desfaz o tal produto trivial. É pertinente, desde já, procurar mos discorrer, com muita claridade e prudência, a respeito desta situação com intuito de se fazer entender que, para além daquilo que é grafado nas gramáticas normativas, existe o real linguístico, que consiste em co mo a língua é falada pelos seus utentes, bem como existe o ideal linguístico, que consiste em como a língua DEVE ser falada, cumprindo, desta feita, com todas as exigências estipuladas nas gramáticas normativas apesar de não serem todos a fazê-lo como tal.

É no real linguístico onde a língua abre novas janelas para entrada do que é refutado dentro da realidade normativa, já que o que é visto co mo agramaticalidade pode, futuramente, vir a ser gramatical ou aceite.

Quem já teve a ocasião de ler a Língua de (da) EULÁLIA, durante a leitura (desde que seja crítica ou pro funda), consegue entender que é no real linguístico (como a língua é falada nos bairros, nas praças e em outras áreas) onde há mais liberdade e ela faz com que a língua evolua com muita rapidez.

Então, TEREZE deve ser visto como sinônimo de TREZE? Para Coelho etal( 2021, p. 216), esse fenómeno diz respeito ao processo pelo qual duas formas podem ocorrer no mesmo contexto com o mesmo valor referencial/ representacional, isto é, com o mesmo significado.

Além de TEREZE, existe *CHEN CHENTO, *STENTA que, no falar cotidiano e até de alguns letrados, ouve-se muito e a normalização, de facto, não dependerá dos normativistas, mas sim do espaço que ganha no meio social, visto que, ao se tornar um costume, a língua, por si só, dá esta abertura. O Coelho etal (2021), ainda asseveram que a sociolinguística estuda a relação entre a língua que falamos e a sociedade em que vivemos.

Com isso, urge a necessidade de entender que a língua é passível de variações do vocabulário, da sintaxe e morfos sintaxe. Com tudo lacrado, resta salientar que, quando estivermos que fazer uma certa análise desta natureza, continuemos a ter em conta as esferas onde a língua reside e é usada pelos seus falantes, porém, de acor do com a norma-padrão, o TEREZE é desconhecido e, no real linguístico, quer TEREZE, quer TREZE— que é o correcto na gramática normativa — existem e não discutem ou não causam nenhuma confusão, uma vez que se referem ao mesmo valor semântico.

Por: NSIMBA MIZIMU

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