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A hora da verdade

Dani Costapor Dani Costa
27 de Outubro, 2025
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Depois de alguns meses de quase suspense, parece que se fez luz. No próximo dia 6 de Novembro de 2025, cinco dias antes da comemoração do 50.º aniversário da independência, Angola testemunhará a condecoração dos signatários dos Acordos de Alvor: Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi — as três figuras que são, e serão sempre, consideradas pais da independência, por terem liderado os três movimentos de libertação antes de o país ter sido proclamado independente.

Apesar das polémicas que determinados segmentos foram apontando, alicerçadas em algumas incompreensões que se acreditam ter surgido dentro do próprio poder político, nunca esteve em causa o reconhecimento do papel desempenhado por estes antes da conquista da independência.

Era inevitável que os três subscritores viessem à ribalta, apesar das diferenças e da influência que cada um deles exerceu na libertação do país. Infelizmente, houve quem, num determinado período, tivesse feito desta situação um autêntico cavalo de batalha.

Isso originou a desistência de um número insignificante de condecorandos, alguns dos quais alegaram que a exclusão dos três signatários seria a razão da sua recusa. Através das redes sociais e de alguns meios de comunicação, houve quem tivesse trazido à ribalta a ideia de que se teria decidido pela exclusão dos líderes dos então movimentos de libertação.

A verdade, porém, é que, desde o início do processo — que deverá culminar brevemente —, não houve qualquer anúncio de que existissem preteridos, salvo aqueles que quiseram afastar-se, supostamente porque esses nomes não constavam.

Houve também quem, verdade seja dita, tenha evocado outras razões, embora estes não representem sequer um por cento entre os milhares que aceitaram o reconhecimento do Estado e manifestaram o seu agrado.

Aliás, nos últimos tempos, o suspense girou em torno do que ocorreria na fase final do processo. Sem quaisquer palpites que dessem razão aos mais cépticos, muitos angolanos tinham quase a certeza de que seria na véspera das comemorações que faria mais sentido homenagear os três nacionalistas — o que se vai confirmar.

Entretanto, ainda que esta certeza se mantenha, haverá quem pretenda colocar no mesmo patamar Álvaro Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi.

Embora possam ser apresentados como nacionalistas envolvidos no processo que levou Angola à independência, cada um deles desempenhou também um papel individual que os distingue. É assim que, apesar da condecoração enquanto signatário de Alvor, o Presidente António Agostinho Neto — o primeiro Presidente de Angola e a figura que proclamou a independência — deverá merecer uma outra distinção.

Diz o comunicado do Gabinete de Apoio ao Presidente da Repúblicaque,“considerandoopapelímparprotagonizado pelo Presidente António Agostinho Neto, enquanto Proclamador da Independência Nacional e Primeiro Presidente da República de Angola, Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República, decreta o seguinte:

É outorgada a Medalha Comemorativa dos 50 Anos da Independência Nacional da Classe de Honra a António Agostinho Neto, Proclamador da Independência Nacional e Primeiro Presidente da República de Angola.”

Por mais que se queira escamotear — ou aproximar os feitos de uns e outros —, a verdade é que não há como retirar de Agostinho Neto esta proeza.

O que faz com que dificilmente venha a estar no mesmo pedestal que Jonas Savimbi e Holden Roberto, que não tiveram o privilégio de proclamar, perante a África e o mundo, a independência de Angola.

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