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OPAÍS

A arte como cartão-de-visita

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
2 de Julho, 2025
Em Opinião

Tive a honra de ser convidado para estar presente na 95.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que teve lugar no Parque Eduardo VII, de 04 a 22 de junho. Evento inaugurado pelo Presidente da República Portuguesa, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, que prestigiou e deu um sinal positivo da sua importância para os portugueses e não só.

Num dos cenários mais bonitos da cidade de Lisboa, com o Tejo aos pés, a Feira do Livro de Lisboa foi uma excelente ocasião para os leitores ficarem a par de todas as novidades literárias, mas também para encontrarem livros recentes e mais antigos; por outro lado, foi uma ocasião única para os autores terem contacto directo com os leitores e amantes de leitura.

Livros e autores de diversas editoras e livrarias estiveram reunidos no mesmo espaço, num ambiente propício para o enaltecimento da arte, da criatividade, da literatura, e não só.

Editoras estiveram em grande destaque no maior acontecimento literário português e, quiçá, um dos maiores do mundo, constituindo em um verdadeiro cartão postal.

Mais de um milhão de visitantes estiveram na feira, dos quais 71% compraram livros, ou seja, mais de setecentas mil pessoas realizaram compras durante a feira, onde houve mais de mil marcas editoriais, mais de cem mil títulos disponíveis e um resultado em vendas na ordem de milhões de euros.

É o que se calcula que a Feira do Livro de Lisboa tenha alcançado este ano, segundo dados preliminares divulgados pela organização. Tratou-se do maior evento de sempre, tendo atingido, segundo notícias, cifras máximas de participação, com horários alargados e melhorias na acessibilidade.

Diversas actividades foram realizadas ao longo da feira, tais como sessões de autógrafos, conversas com escritores, lançamentos de livros, espectáculos de música, dança, cinema ao ar livre e muito mais, uma autêntica homenagem à arte e à literatura.

Além desta variedade de actividades culturais, a feira oferecia um vasto parque com restauração, esplanadas e uma enorme disponibilidade de espaço para estacionamento e acesso a transporte. Havia, portanto, uma grande facilidade de acesso à feira, com diversos transportes públicos disponíveis. Visitantes de todas as partes do mundo, uma verdadeira promoção da arte, cultura, culinária e literatura do mundo.

Os bons exemplos devem ser copiados. No interior da feira era possível encontrar diversos outros serviços, como bengaleiros, que permitiam não só guardar casacos, como também malas, compras e carrinhos de bebé; carregamento de telemóveis; expedição de livros por correio; um espaço de perdidos e achados; um centro bebé, situado na entrada sul da feira, espaço que permitia aos pais darem de comer aos filhos, aquecer a comida dos bebés, mudar fraldas ou amamentar; o serviço público de bicicletas, bem como o serviço de personalização de chapéus e blocos de notas na hora.

Mais de um milhão de pessoas passaram por aquele espaço, gente de diversas nacionalidades, inclusive pessoas que saíram de outros continentes com o objectivo de vivenciarem a maravilhosa Feira do Livro de Lisboa.

Alunos de diversas escolas, de forma organizada, visitaram a feira, bem como famílias inteiras, uma verdadeira promoção ao gosto pela leitura e arte.

Tive a honra de estar presente, de forma oficial, no dia 14 de Junho, em sessões de autógrafos, onde pude captar a fome de leitura e de obtenção de conhecimento dos leitores, particularmente, a curiosidade de conhecerem o pensamento de escritores africanos. Várias pessoas queriam conhecer o nosso trabalho.

E eu, com muito orgulho, tive a honra de escrever, mais uma vez, o nome de Angola naquele evento. Poder falar com os leitores, debater temas, opinar, ouvir as opiniões e críticas dos mesmos e interagir tornou cada momento numa ocasião histórica e única.

E quando era questionado: “de onde és”, eu, com muito orgulho e um sorriso aberto, respondia: “sou de Angola…” As feiras do livro têm a missão de estimular a leitura, desenvolver o conhecimento e, concomitantemente, promover o país, a cultura, a arte, a criatividade, o conhecimento, atrair turistas e realizar bons negócios, porque a arte também é um bom negócio.

A feira permite encontrar uma diversidade enorme de livros a baixo preço, acompanhar ciclos de debates com especialistas e autores que se juntaram para transmitir conhecimentos e ideias; nunca vi tanta gente junta a ler, sentada na relva ou num dos diversos bancos disponíveis, simplesmente, a ler. Literatura, arte, música e restauração podem, sim, constituir atractivos para turistas visitarem o nosso país, a nossa Angola. A arte pode, sim, ser fonte de receita para o Estado.

A arte pode, sim, tirar milhões de pessoas da pobreza e combater a fome. A arte pode, sim, ajudar Angola a crescer e alcançar o desenvolvimento. A arte pode, sim, ser um elo de unidade nacional.

Porém, não nos podemos esquecer do trabalho de casa, a necessidade de definirmos um plano nacional de leitura obrigatório e efectivo para as nossas crianças, para que desde tenra idade comecem a despertar o gosto pela leitura, bem como a capacidade cognitiva e criativa para desenvolverem e promoverem o vocabulário e melhorar a ortografia.

Almejo que, no futuro, Luanda seja capaz de organizar a maior feira de artes de África e possa constituir-se como o principal centro de produção de arte (literatura, musica, dança, musica etc.), da nossa região austral e quiçá, um dia, do nosso belo continente. Para tal, só precisamos de organização e de arregaçar as mangas.

Por: OSVALDO FUAKATINUA

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