A Coreia do Norte deteve mais um dirigente, no âmbito de uma investigação a um acidente ocorrido, quarta-feira passada, durante a cerimónia de lançamento de um novo navio de guerra
De acordo com a BBC, que cita a agência de notícias KCNA, trata-se do vice-director do Departamento de Indústria de Munições do Partido dos Trabalhadores, Ri Hyongson, que é considerado “em grande parte responsável pelo grave acidente”.
O líder norte-coreano, Kim Jonun, descreveu o sucedido como um “acto criminoso” e que “prejudicou a dignidade e o orgulho do país”, após o navio de 5 mil toneladas ter virado e ter ficado com a zona do casco danificada.
De recordar que já haviam sido detidos o engenheiro-chefe do Estaleiro Chongjin, Kang Jong Chol, chefe da oficina de construção do casco, Han Kyong Hak, e o vicedirector de assuntos administrativos, Kim Yong Hak.
Na Sexta-feira, a KCNA tinha dito que uma inspecção subaquática e interna detalhada do navio de guerra “confirmou que, ao contrário do que foi inicialmente anunciado, não houve qualquer brecha no fundo do navio”.
No entanto, “o casco de estibordo foi riscado e um pouco de água do mar entrou na secção de popa pela saída de emergência”, acrescentou a agência, garantindo que os danos sofridos pelo navio de guerra “não foram graves”.
“Não foram identificados mais danos no navio de guerra” e “o plano de reabilitação está a avançar conforme programado”, informou, no Sábado, a KCNA. De acordo com os serviços de informação dos EUA e da Coreia do Sul, a “tentativa de lançamento lateral” do navio falhou.
O contra-torpedeiro está, actualmente, inclinado na água, disseram os militares sul-coreanos. Imagens de satélite do local mostraram o navio deitado de lado, com a maior parte do casco submerso e coberto por capas azuis. Hong Kil-ho, o director do estaleiro onde ocorreu o acidente, foi convocado por uma comissão militar na Quinta-feira, acrescentou a KCNA.
Os especialistas nortecoreanos estimam que serão necessários “dois ou três dias para restaurar o equilíbrio do navio de guerra que bombeia água do mar da secção inundada”, disse a agência. A reparação do casco do contratorpedeiro deverá demorar cerca de 10 dias, acrescentou.
O nome do barco não foi especificado. Em Abril, Pyongyang divulgou imagens de um navio contra-torpedeiro de cinco mil toneladas, chamado Choe Hyon. Na altura, os meios de comunicação estatais transmitiram imagens de Kim a participar numa cerimónia com a filha, Kim Ju-ae, que muitos especialistas acreditam que será a sucessora no poder.
A Coreia do Norte alegou que o navio estava equipado com as “armas mais poderosas” e que “entraria ao serviço no início do próximo ano”. Segundo alguns especialistas, o Choe Hyon poderá ser equipado com mísseis nucleares tácticos de curto alcance, embora a Coreia do Norte não tenha, até ao momento, provado ter a capacidade de desenvolver armas nucleares de pequena dimensão. O reconhecimento público de falhas técnicas ou administrativas é altamente invulgar na Coreia do Norte.