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Dois angolanos na história da cidade de Córdoba na Argentina

Sebastião Félix por Sebastião Félix
10 de Março, 2023
Em Manchete

Na Praça de San Martin, ao pé da Catedral Católica de Córdoba, na Argentina, pode-se ver o monumento do casal de escravos angolanos, Pedro e Yomar, vendidos naquele local em 1588 do século XVI

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Pedro e Yomar, um casal de escravos angolanos, que foram vendidos em 27 de Abril de 1588, na Praça de San Martin, ao pé da Catedral Católica, fazem parte das memórias históricas da cidade de Córdoba, na Argentina. De acordo com os dados no local, o reconhecimento aconteceu num dos encontros, denominado “Mesa Afro Córdoba”, em Abril do ano passado, no sentido de se reconhecer e se contar a verdadeira história da cidade.

No monumento, visitado por muitos angolanos e estrangeiros dos quatro cantos do mundo, está cravado que “aqui foram vendidos Pedro y Yomar personas esclavizadas traídas de Angola el 27 de Abril de 1588”. Apesar do vento de chuva que se fazia sentir no local, cidadãos tiravam sempre um minuto para perceber a história de dois angolanos que atravessaram o Ocenao Atlâtico por via de um processo que continua a prejudicar o continente africano, o tráfico de es- cravos.

A reportagem deste jornal ouviu o estudante de História em Buenos Aires, Ivanildo Lopez, que está a fazer um levantamento sobre os principais pontos de venda de escravos naquele país durante o século XVI. Ivanildo Lopez disse que a Praça de San Martin e algumas bibliotecas são locais indicados para se saber mais sobre esse processo de escravização que afectou negativamente o continente africano no passado. “Como estudante de História, tenho muitos desafios, porque sei que devo ir para Angola um dia, Gana, Senegal, Nigéria, Quénia e outros países que são parte da história desse processo”, adiantou Ivanildo Lopez.

Na Praça de San Martin, o jovem historiador gostou da forma como o monumento está a ser cuidado, visto que não se pode pisar no jardim nem tocar no mesmo, de modo a honrar a imagem e a alma daqueles que saíram, sem vontade, de um ponto do mundo, para outro. Córdoba, por ser uma cidade com muitas universidades, recebe investigadores de todas as partes do mundo, por isso conta com cerca de 250 mil estudantes universitários divididos em vários cursos, segundo dados da Câmara Municipal.

Assim, a reportagem de O PAÍS, no local, falou também com o turista e estudante de Antropologia nos EUA, Edgar Rodgers, após ter visitado o monumento que está na cidade cuja superfície é 576 quilóme-tros quadrados e fundada por Sevillano Jerónimo Luis de Cabrera em 1573. Para Edgar Rodgers, as visitas que o espaço, localizado ao pé da Ca- tedral Católica de San Martin, onde o Papa Francisco proferiu mui- tas homilias antes de ir para o Vaticano, mostram que a inocência de povos contribuíram para a globalização. Entre outros assuntos, o estudante frisou que, aos poucos, apesar de se estar numa sociedade dinâmica, os mais novos vão conhecendo a história e isso ajuda a reduzir as assimetrias no mundo.

“Somos todos iguais, mas muitas vezes por falta de noção coloca-se o outro numa posição em que se se perguntar as razões muitos não sabem sequer explicar”, fez saber o turista e estudante de Antropologia. Córdoba é, por excelência, uma cidade cuja religião predominante é a católica, por isso à sua volta pode- se ver várias igrejas e congregações que continuam a contribuir para a alma da mesma, visto que aos domingos a tradição mantém-se.

“Viemos da dança dos tambores”

Em sede da Mesa Afro Córdoba, a jornalista Inés Domínguez Cuaglia escreveu que a verdade continua a ser um facto, por isso viemos da dança dos tambores, de sua tristeza e alegria somos a negritude, “Por isso, viemos da dança dos tambores”, reiterou. A profissional referiu que são, sim, parte da história da cidade de Córdoba, visto que os ir- mãos saídos de Angola representam um dos documentos da história Afrocórdoba na Argentina. A jornalista concluiu que a Mesa Afro Córdoba é uma associação sem fins lucrativos que congrega pessoas de vários extratos sociais para ajudar a pesquisar mais sobre o fenómeno, arte, cultura e educação. Inés Domínguez Cuaglia referiu ainda que o mais importante é encontrar traços históricos entre os povos, uma vez que a presença afro ancestral em Córdoba não deve ser ignorada pela história.

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Sebastião Félix

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