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Angola cria mais de três milhões de empregos, diz Banco Mundial

Domingos Bento por Domingos Bento
16 de Fevereiro, 2023
Em Manchete

De um total de 3,5milhões de empregos, mais de 72 por cento foram não salariais, nomeadamente angolanos proactivos que iniciaram uma micro empresa para gerar rendimentos para o agregado familiar, sob a forma de trabalho independente (52 por cento), trabalho familiar não remunerado (10 por cento) e empregadores de pequena escala (7 por cento), aponta um relatório do Banco Mundial apresentado ontem, em Luanda, numa cerimónia que contou com a presença de membros do Executivo e representantes da sociedade civil

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Angola criou, durante o período 2 0 0 9/2 019, 3,5 milhões de empregos líquidos, anunciou, ontem, um relatório do Banco Mundial apresentado em Luanda, testemunhado por membros do Executivo e sociedade civil. O relatório do Banco Mundial, com foco para o emprego juvenil, realça que, apesar de um abrandamento económico desde 2015, a economia angolana criou uma média anual de 350.000 empregos.

O documento refere que a participação na força de trabalho é elevada a 76 por cento, em comparação com 66 por cento entre os países comparáveis e dois terços (65 por cento) da população adulta tem um emprego. Da população adulta activa no mercado de trabalho, esclarece o relatório, uma grande par- te (85 por cento) está empregada. Entretanto, apesar das elevadas taxas de participação e emprego, muitos angolanos trabalham em empregos de baixa produtividade com perspectivas limitadas de aumentar os rendimentos ou a qualidade do emprego.

Segundo ainda o relatório, mais de 72 por cento dos empregos criados durante 2009- 2019 foram não salariais, nomeadamente angolanos proactivos que iniciaram uma micro empresa para gerar rendimentos para o agregado familiar, sob a forma de trabalho independente (52 por cento), trabalho familiar não remunerado (10 por cento) e empregadores de pequena escala (7 por cento). Segundo ainda o documento, a maioria dos novos empregos não salariais eram ocupações não qualificadas nos sectores da agricultura e comércio, que contribuíram muito pouco para o crescimento económico ou para o bem- estar dos trabalhadores devido à baixa produtividade e salários e à ausência de benefícios sociais li- gados ao emprego.

As mulheres, sublinha o documento, eram particularmente activas nestes sectores. Já os sectores “melhores”, em termos de estabilidade no emprego e benefícios, desempenharam um papel mais modesto na criação de em- prego. Estes incluíam o lucrativo sector extractivo, serviços financeiros, indústria transformadora e emprego no sector público.

Empresas jovens

O relatório do Banco Mundial deixa ainda claro que a maio- ria das empresas que operam em Angola são jovens, com possibilidades limitadas de contratação e qualidade de emprego potencial- mente inferior para os trabalhadores. Neste sentido, o relatório mostra que, aproximadamente, 68 por cento das empresas que operam em Angola têm menos de 5 anos, enquanto 21 por cento tem menos de dois anos. “Embora as empresas jovens dominem o mercado, elas lutam para crescer e tornar-se entidades criadoras de emprego”, sublinha o documento, fazendo referencia que as empresas jovens representem 73 por cento das empresas não registadas, ou seja, informais.

Participação de todos

Para o director regional do Banco Mundial, Albert Zeufac, comparando com outros países da região, Angola não está tão mal as- sim, mas precisa fazer um esforço de continuar a inserir os jovens no mercado de trabalho formal. Segundo Albert Zeufac, o em- prego é importante para a garantia de um ambiente de paz em Angola, pelo que as acções com vista a criar maiores e melhores oportunidades de emprego devem ser accionadas todos os dias com a integração dos vários sectores da vida social, desde o sector privado e público, assim como os diversos seguimentos da sociedade civil.

Medidas políticas permitem salvaguardar postos de emprego

Por seu lado, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Dias, disse que o Executivo angolano tem consciência que o trabalho é essencial para a subsistência das famílias. O acto de trabalhar, frisou, garante uma posição de dignidade para o trabalhador, não apenas por permitir a manutenção financeira das famílias, mas também por constituir um factor de integração e inclusão social. Neste sentido, referiu que o desemprego juvenil é um mal que enferma a sociedade angolana, pelo que deve ser continuamente combatido.

Por esta razão, referiu que no domínio da Administração do Trabalho tem-se vindo a empreender um esforço incessante para a redução dos níveis de desemprego com a materialização de diversos programas de formação profissional e promoção de empregabilidade. Segundo ainda a governante, com vista a diminuir o impacto da pandemia da Covid-19, assim como o da recessão económica, o Executivo Angolano implementou, a par de outros Governos do mundo, medidas políticas integradas e de larga escala, concentradas em quatro pilares funda- mentais, nomeadamente o apoio às empresas ao emprego e a renda, a estimulação da economia e do emprego, a protecção dos trabalhadores no local de trabalho e o diálogo social para encontrar soluções.

Estas medidas, destacou, permitiram, de certo modo, a geração de um total de 490 mil e 768 dos 500 mil previstos para o quinquénio 2018-2022. “Apesar de, por força da pandemia da Covid-19, termos registado empregos destruídos, com maior destaque nos anos de 2020 e 2021, perfazendo o total de 271 mil e 562 que perderam os postos de trabalho”, destacou, acrescentando ainda que “importa realçar que, ainda assim, com todo o esforço do Executivo, conseguiu-se conservar 219 mil e 206 postos de

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