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OPAÍS

Fifi Ejindu: “ O que é bom para os estrangeiros tem que ser bom para os nacionais”

Dani Costapor Dani Costa
8 de Dezembro, 2023
Em Entrevista
Fifi Ejindu: “ O que é bom para os estrangeiros tem que ser bom para os nacionais”

O nome de Fifi Ejindu, 61 anos, é presença constante na lista das mulheres mais ricas da Nigéria, com investimentos no sector imobiliário e outros. Preside o Conselho de Negócios Angola-Nigéria, uma organização criada para aproximar os empresários e líderes dos dois países, assim como fortalecer o intercâmbio em vários domínios. Numa curta passagem por Angola, durante uma semana, altura em que OPAÍS aproveitou para esta entrevista, a empresária garantiu que Angola está pronta para receber investimentos, razão pela qual irá passar esta mensagem aos seus companheiros, alguns dos quais acreditavam não ser bem vistos. Fifi Ejindu diz ser uma visão do passado, até porque o acesso ao território angolano está mais facilitado, como a própria constatou quando chegou a Luanda — contrariamente ao que viveu há cinco anos quando liderou uma missão empresarial

Está há uma semana em Angola, qual é a impressão que tem do país?

Quero agradecer por me estar a entrevistar neste momento. Estou aqui há uma semana e tem estado a ser maravilhoso. Primeiro de tudo, é como se estivesse em casa. As pessoas em Angola são muito calorosas, a comida é praticamente a mesma. A verdade é que não me sinto como se estivesse num país que não fosse mesmo o meu país. O que mostra que em África temos os mesmos valores, a mesma cultura, por isso é que agora é tempo de nos unir- mos e trabalhar como um só. Não vejo nenhuma diferença entre as duas nações.

Quem pesquisa o nome da madame Fifi Ejindu encontra várias informações, mas sobressai como sendo uma pessoa ligada à alta finança na Nigéria, arquitecta, filantropa e com investimentos em várias áreas. Como é que se define?

Primeiro, eu me defino como uma mulher africana, que tem paixão genuína sobre o crescimento africano. Algumas pessoas dizem que sou uma optimista sem cura, mas eu acredito de coração que isto aqui tem muito de África. Sim, eu faço muita coisa: sou arquitecta, sou empresária e tenho sido durante muitos anos em vários sectores. Estava na escola a estudar nos Estados Unidos e mandava materiais da América para África. Já vendi roupa em segunda mão quando tinha 20 anos.

Já vendi motos usa- das da América para África. Tudo aquilo que vi nos Estados Unidos naquela altura, há 20 anos, pensava: o que a África precisa? Esta paixão é que tem estado a moldar o resto de toda a minha vida. Até a arquitectura para fazer a África ficar mais bonita. Toda a minha vida foi sempre trazer investimentos e investidores para a África. Há 10 anos, fui entrevistada pela CNN, num programa para artes e moda africana. Financiei porque África tem mui- to talento. Tanto para a moda como para a arte, mas continuam sempre a nos pôr na televisão e a nos pintar como se fôssemos todos pobres e desgraçados. Só pobreza, um continente com fome, doença.

Vais para a televisão e só vês crianças com fome, à volta de lixo e outras coisas. África não é só isso. Temos muita beleza, muita cultura, riqueza natural. Então pensei: deixe tirar essa oportunidade para mostrar o que é realmente a África. Nós temos artistas fabulosos novos, pessoas que fazem roupas em modelos maravilhosos. Começámos a levar isso para ter a luz no mundo e agora as pessoas sabem que África tem muito talento. Voltando para aquilo que tu dizes, eu me vejo também como uma esposa e uma mãe.

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