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Importações de combustíveis caem para 3,06 mil milhões de dólares em 2024

Jornal OpaisPor Jornal Opais
31 de Março, 2025
Em Economia
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Importações de combustíveis caem para 3,06 mil milhões de dólares em 2024

Jacinto Figueiredo

As importações de combustíveis caíram de 4,02 mil milhões de dólares em 2022 para 3,06 mil milhões em 2024, uma redução de aproximadamente 24%

Essa diminuição, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), calculados por este jornal, pode estar ligada às políticas de redução de subsídios e ao aumento da capacidade de produção interna, sobretudo com os avanços na refinaria de Luanda e os planos de construção de novas unidades no Lobito e em Cabinda.

Já os bens alimentares, outra cate- goria crucial para o consumo interno, registaram uma queda expressiva entre 2022 e 2023, passan- do de 2,88 mil milhões de dólares para 1,94 mil milhões. No entanto, houve uma leve recu- peração em 2024, com as importações atingindo 2,04 mil milhões de dólares.

O aumento pode indicar uma maior necessidade de suprir a procura interna devido a desafios na produção agrícola nacional. Diferente de outros sectores, as importações de máquinas e equipamentos apresentaram crescimento contínuo.

Indo ao detalhe, em 2022, o país importou cerca de 3,34 mil milhões de dólares nesta categoria, número que subiu para 3,49 mil milhões em 2023 e atingiu 3,50 mil milhões em 2024. Esse crescimento, segundo o Banco Nacional de Angola sugere que Angola continua a investir na modernização da sua infraestrutura e no desenvolvimento industrial, possivelmente impulsionado por projectos de construção e reabilitação de estradas, energia e telecomunicações.

Outras categorias, como minérios e minerais, também seguiram tendência de queda. Em 2022, esse sector movimentou 201,9 milhões de dólares em importações, caindo para 93 milhões em 2024.

Já os produtos agrícolas e florestais, embora apresentem valores menores no total de importações, cresceram de 18,5 milhões de dólares em 2022 para 24,9 milhões em 2024, o que pode indicar aumento na procura por matérias-primas para o sector agroindustrial.

Cenário económico

A queda nas importações pode ser reflexo de factores como desvalorização cambial, políticas de substituição de importações e desafios logísticos. Além disso, a redução nos combustíveis pode impactar sectores dependentes de derivados do petróleo, como transporte e indústria.

Especialista aponta que a recuperação da economia dependerá do fortalecimento da produção interna, do incentivo ao sector agrícola e da diversificação da economia para reduzir a dependência de importações.

A tendência para os próximos anos dependerá das políticas económicas do governo, da evolução dos investimentos estrangeiros e da capacidade do país de fortalecer a sua produção interna para suprir a demanda do mercado.

Impacto na redução das importações

O economista Eduardo Manuel afirmou que a queda de 24% nas importações de combustíveis entre 2022 e 2024 pode ser atribuída, em grande parte, à expansão da capacidade de refinação nacional e à redução de subsídios.

Segundo ele, o governo planeia avançar com a modernização das refinarias e diminuir os subsídios para, assim, viabilizar a execução de outros projectos de interesse nacional, essenciais para o desenvolvimento económico e social de Angola. Essa redução nas importações tende a elevar os custos dos combustíveis, o que, por sua vez, pode oca- sionar um aumento nos preços dos bens e serviços.

Essa dinâmica pode afectar a competitividade da indústria angola- na, que precisará investir signifi- cativamente na qualidade dos seus produtos para competir, mesmo que a preços superiores aos praticados por outros países da SADC.

No que diz respeito aos bens alimentares, Eduardo Manuel sublinhou que as suas importações sofreram uma queda acentuada entre 2022 e 2023, período em que o governo buscou estimular a produção interna de produtos essenciais para a diversificação económica, em parceria com bancos nacionais e internacionais.

Em 2024, observou-se um ligeiro aumento dessas importações, resultado dos investimentos realizados anteriormente para a fabricação de matérias-primas destinadas às indústrias. Assim, embora a diversificação económica seja uma meta prioritária para Angola, é crucial que o país concentre esforços na produção alinhada às necessidades e potencialidades de cada província, revi- sando estratégias e intensificando o diálogo entre o governo, o sector bancário e os principais parceiros internacionais.

Já o crescimento das importações no sector de máquinas e equipamentos é um sinal positivo, pois indica que os investidores estão direcionando seus recursos para o sector não petrolífero. Esse movimento, impulsionado pelos programas de diversificação económica, pode contribuir para a redução dos preços dos produtos da cesta básica e ampliar as exportações para o mercado regional e internacional, diminuindo assim a dependência do petróleo.

POR:Francisca Parente

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