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Expositores reclamam tendência de subida “milionária” de preços para participar na FIB

A sugestão de alguns participantes que estão desde a génese da FIB, há cerca de 14 anos, é que devia haver um tratamento especial em relação aos preços, e reclamam tendência de subida vertiginosa. Entretanto, a organização do certame justifica com garantia de qualidade

Jornal Opais por Jornal Opais
28 de Maio, 2024
Em Economia

Expositores reclamam dos preços por metro quadrado na Feira Internacional de Benguela (FIB), que variam de 500 mil a mais de um milhão de kwanzas, considerados onerosos para quem se veja obrigado a ocupar vários metros quadrados, sobretudo nos pavilhões 1, 2 e três.

Um proprietário de uma empresa do ramo de telecomunicações, acomodado no pavilhão número 1, confidenciou, sob anonimato, a este jornal, que empresas como a dele praticamente têm tido pouca contrapartida em participar em feiras como a realizada de 22 a 26 de Maio pela Eventos Arena, no quadro do aniversário do município de Benguela.

Ele sustenta que, contas feitas, durante os quatro a cinco dias de feira, a participação (logística inerente à feira), alimentação, designer de stand e outros encargos – não ficam menos de 10 milhões de kwanzas.

Em rigor, não se consegue ter, ao longo dos dias, o retorno desse dinheiro, daí ter sugerido que se aligeire os preços e, por conta disso, preterido à FILDA, a realizar-se em Junho deste ano, cuja organização cabe à mesma entidade que detém o monopólio em realização de feiras no país.

“As empresas que só trabalham para expor a marca não tem nenhum retorno. Os preços por metros quadrados tendem a aumentar a cada ano que passa. Nós gastamos mais dois milhões de kwanzas pelo espaço.

O designer é por nossa conta. Só o ramo da reestruturação é que tem retorno”, reclama um outro empresário, que também se escusou de se identificar. Refere que, ultimamente, os preços registam uma tendência de subida, facto que, na óptica dele, está a afugentar muitas empresas. Mas, a organizadora do evento contraria essa tese e admite um aumento de participação na ordem de 15 por cento.

“Não faz sentido pagarmos tanto, porque nós já andamos nisso há bastante tempo, desde a sua primeira edição. Uma participação não fica menos de 10 milhões de kwanzas. E não é rentável. Isso está a afugentar muitos expositores”, acrescenta. Informações colhidas por este jornal no Estádio Nacional de Ombaka, onde decorreu a FIB, dão conta de que, na parte externa dos pavilhões, os expositores pagaram pouco mais de 500 mil kwanzas por espaço.

Organização justifica com a conjuntura económica

Entretanto, abordado por este jornal propositadamente sobre essas reclamações, o presidente do conselho de administração da Eventos Arena, Bruno Albernaz, desvaloriza e justifica a tendência de subida com o quadro actual da economia nacional.

“O caro e o barato é relativo. Nós temos que continuar a manter o padrão que os expositores obrigam a que nós tenhamos e, para se manter este padrão e para continuar a oferecer um ambiente de negócios agradável, onde as pessoas possam estar, negociar, receber os seus clientes, tem um valor”, sustenta.

Conforme o promotor, esse valor é, simplesmente, reflectido “nestas condições para o expositor. Nós nunca estamos satisfeitos, vamos continuar sempre a trabalhar e a investir na contínua melhoria destas mesmas condições. Portanto, o preço é completamente relativo. Os expositores, com certeza, não mantêm os seus preços. O preço da água, num ano, era um, agora, é outro, basta ir ao supermercado”, justifica o gestor.

Albernaz socorre-se de informações disponibilizadas por expositores para sustentar que houve parcerias e feitos bons negócios. “E, com todos esses resultados, o balanço é extremamente positivo. Encoraja-nos a continuar. Vamos continuar a dar o nosso melhor e, com certeza, no próximo ano, no ano dos 50 anos do nosso projecto, vamos estar com mais força”, reforçou, em entrevista exclusiva a este jornal, depois de ter visitado alguns stands no último dia da FIB.

Fonte: POR: Constantino Eduardo, em Benguela

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