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Análise Diária: O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Jornal Opais por Jornal Opais
12 de Dezembro, 2017
Em Economia

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O Presidente norte-americano desafiou os aliados e a Liga Árabe e revogou décadas de política externa ao reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, mas o impacto económico do anúncio não foi de todo negativo para os Estados Unidos.

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POR: Atlantico

Os Estados Unidos da América (EUA), liderados pelo presidente Donald Trump, reconheceram Jerusalém como capital de Israel, dia 6 de Dezembro de 2017, desde a independência de Israel em 1948, o que dará início ao processo de mudança da sua embaixada em Israel da cidade de Tel Aviv para a capital Jerusalém.

A medida tem sido identificada como a mais negativa entre as decisões de política externa adoptadas até ao momento pelo actual presidente norte-americano, superando o abandono do acordo de Paris, a tensão com a Coreia do Norte e a tentativa sem sucesso de bloqueio da entrada nos EUA de cidadãos provenientes de países com relação, comprovada ou potencial, aos radicais islâmicos. Até à data actual, a política dos EUA considerava que o estatuto da cidade antiga, Jerusalém, deveria ser resolvido através de negociações entre israelitas e palestinos.

Jerusalém não é apenas uma cidade de importância histórica para o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, mas também é a crucial para a identidade israelita e palestina. A Cidade Velha de Jerusalém tem a terceira mesquita mais sagrada do Islão e o sítio mais sagrado do judaísmo, tornando o estatuto da cidade um assunto sensível para os muçulmanos e os judeus em todo o mundo. A maior parte dos israelitas e palestinos insiste que Jerusalém deve ser a capital dos estados, presentes e futuros, e que isso não é negociável.

É por este motivo que o estatuto final de Jerusalém foi considerado uma das questões mais sensíveis do processo de paz de Oslo na década de 1990. O Presidente Trump desafiou as advertências dos aliados e da Liga Árabe ao revogar décadas de política externa dos EUA. A decisão do presidente norte-americano representa uma manobra de alto risco no Médio Oriente, sendo que não foi determinada por pressupostos diplomáticos, mas por uma promessa de campanha, quando Trump apelou a evangélicos e judeus pró-israelitas em 2016, garantindo que se o apoiassem, em caso de vitória nas eleições presidenciais, deslocaria a embaixada à Jerusalém.

A decisão norte-americana, tal como o previsto, desencadeou uma onda de protestos e alguma violência em todo o mundo, principalmente junto a embaixadas norteamericanas sedeadas nas nações com comunidade muçulmana, e na Faixa de Gaza. Entretanto, em termos económicos, o impacto imediato não foi, de todo negativo para os EUA. Os mercados bolsistas apresentaram tendência positiva de Quarta-feira a Sexta-feira, com o índice Dow Jones e S&P 500 a registarem crescimentos de 0,78% e 0,85%, respectivamente.

A moeda norte-americana fortaleceu-se, tendo o índice que mede a evolução do dólar em relação às principais contra-partes, USD index, crescido 0,31%, a mesma tendência apurada na taxa de câmbio Euro-dólar, apurando- se uma alteração da cotação do euro (unidade) de 1,1793 USD para 1,1778 USD.

O mercado do petróleo também registou uma performance positiva, com o preço do barril de Brent a passar de 61,22 para 63,40 USD e o barril de WTI a evoluir de 55,96 para 57,31 USD. Trump, com a decisão tomada e com os esforços de redução da carga fiscal às empresas, vai-se destacando como cumpridor das suas promessas de campanha, apesar de já ter falhado algumas relevantes, como o muro na fronteira com o México e a reforma e melhoria no sistema de saúde norte-americano.

As nações árabes têm passado por períodos de fragilidade e pouca coesão, que tornam menos provável uma possível retaliação, e caso acontecesse poderia passar pelo abandono da cotação do crude em dólar como alguns analistas antecipam, mas as divisões entre países muçulmanos e a exclusão de países como Catar, Líbano ou Irão podem minar esta e qualquer outra intenção. Contudo, não podem ser ignorados o número de fatalidades geradas desde a tomada da decisão pelos EUA, um possível fortalecimento da união entre os países muçulmanos e a perda de um mediador importante nas negociações de paz entre palestinos e Israelitas.

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