Mulheres que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual durante o internamento hospitalar descrevem um percurso marcado pelo medo, pela vergonha e pela dificuldade em denunciar. Embora muitos casos permaneçam em silêncio, a Ordem dos Enfermeiros de Angola reconhece a existência de queixas e garante que os profissionais envolvidos são alvo de processos disciplinares quando há provas
As histórias relatadas por algumas pacientes que dizem ter sido abusadas revelam-se silenciosas, como elas próprias fizeram questão de referir, ora porque, na condição de vítima, a sua voz não é ouvida, ora porque são consideradas como pessoas com percepção confusa.
No bairro Boa Esperança, uma das vítimas, que preferiu se apresentar com o nome de ‘Abandonada’, para não ser facilmente identificada, disse que já ouvia relatos do género a partir de vizinhas e conhecidas, antes de viver o drama.
Quando deu entrada num dos hospitais grandes de Luanda, com dores de cabeça intensas e complicações na região lombar, estava atenta a todos os movimentos dos enfermeiros, para travar, imediatamente, qualquer intenção que inclinasse ao desrespeito.
“Acho que o meu erro foi mesmo esse e o de ter estado sozinha lá internada, de noite, entre os três enfermeiros, porque, quando eles se aperceberam de que eu estava muito desconfiada e atenta, deram-me uma injecção e comecei a sentir-me fraca e adormeci”, contou ´Abandonada´, lembrando que ainda teve tempo para questionar se naquela secção não trabalhava uma enfermeira ou médica.








