Depois de anunciar que deixa de narrar jogos de basquetebol, como quadro da Rádio 5, canal adstrito à Rádio Nacional de Angola (RNA), o jornalista Nelson Ventura, que também praticou a modalidade por muitos anos, antes de abraçar a profissão nos tempos idos de 1988, por influência do seu pai, Chico Ventura, em memória, disse ao jornal OPAÍS que tem recebido várias propostas e que não faltaram elogios de colegas portugueses, moçambicanos, brasileiros e outros. Quanto à valorização dos profissionais da classe, Nelson Ventura, que nasceu em 1962 e cresceu no Cassenda, em Luanda, disse que uma melhor remuneração evita a saída de profissionais para outras áreas do saber. Como jornalista, atingiu o pico de coberturas nacionais e internacionais ainda muito jovem. Disse que, quando chegou à redacção desportiva da RNA, teve o suporte de Mateus Gonçalves e Manuel Rabelais, profissionais que à época tinham uma relação saudável com o seu falecido progenitor, então treinador de futebol. Na Rádio 5, em relação ao relato de basquetebol e futebol, faz referência a Joaquim Clemente, António Malungo e Pedro Bambi
Cresceu no Cassenda e faz parte de uma família de desportistas. Que memórias tem do seu antigo bairro?
Foi no Cassenda, em Luanda, onde comecei a jogar basquetebol. Na altura, atravessávamos a estrada e íamos também para o CDUAN, ali ao pé da Clínica Girassol, e também à TAAG, actualmente Atlético Sport Aviação (ASA), no aeroporto. Eram os lugares mais próximos e conseguíamos nos divertir. Jogávamos também futebol.
Então começou mesmo no basquetebol?
Comecei no atletismo com o professor Ângelo, na escola. Depois passei pelo futebol no Maxinde com o Semica. Nesse período, estudava no Salvador Correia (Mutu Ya Kevela).
Na época, o Cassenda tinha muitos adolescentes e jovens desportistas?
Tivemos o Rui Neto, Jacinto Neto, Serafim, Yuca e o Firmino que formaram a equipa de basquetebol do CDUAN. Como também estudei no então Instituto Normal de Educação Física (INEF), tive a oportunidade de praticar outras modalidades como andebol, voleibol, futebol e basquetebol.
Como é que conhece o professor Victorino Cunha?
O professor Victorino Cunha procurava por jogadores altos. No entanto, fiz parte desse grupo e cheguei ao 1.º de Agosto. Naquela altura, o 1.º de Agosto tinha uma equipa de militares. Eu treinava com os seniores. Era o Barbozinha, Paulo Múrias, Rui Marques, Paulo Manita e ainda tinha o Sidraque da Conceição Paquete. Depois é que aparece o Hilário de Souza. A renovação que o Professor Vitorino Cunha foi fazendo fez com que o 1.º de Agosto se tornasse a equipa mais forte. Na altura, o 1.º de Agosto tinha ido buscar os melhores jogadores nas grandes equipas. No Ferroviário, já com o professor Vladimir Romero, jogamos juniores e seniores, mas com alguns do grupo do Cassenda fomos para os Dínamos de Luanda, equipa que fazia parte do Ministério da Segurança do Estado, onde participamos em várias competições da comunidade socialista. Íamos jogar com o Dínamo de Tbilisi, Dínamo da Croácia, Checoslovákia, Polónia e por aí afora. Era uma competição que acolhia por aí umas 12, 13 equipas de todos os Dínamos da comunidade socialista e disputávamos um campeonato de aproximadamente 10 a 12 dias. Tivemos a possibilidade de conhecer o basquetebol. Por via do basquetebol, aos poucos estava a encaminhar-me para o jornalismo desportivo.
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