O director desportivo do Petro de Luanda, Bruno Vicente, afirmou que, após consolidar a hegemonia no futebol nacional com a conquista de 12 troféus nos últimos 5 anos, o grande foco do clube passa agora por colocar os tricolores de forma regular nas finais da Liga dos Campeões Africanos. Em entrevista ao jornal OPAÍS, o dirigente abordou o percurso pessoal e a necessidade urgente de dotar o Girabola de melhores infra-estruturas
O percurso de Bruno Vicente no futebol profissional começou ainda na infância, fase em que o actual director desportivo do Petro de Luanda já demonstrava interesse pela componente estratégica e táctica do jogo. Segundo o dirigente, a paixão pelo futebol ultrapassava o simples acto de assistir ou praticar a modalidade, manifestando se sobretudo na análise das dinâmicas colectivas e na construção de ideias ligadas ao desporto-rei.
“O futebol sempre fez parte da minha vida desde muito cedo. Ainda na escola, muitas vezes, enquanto decorria uma aula, eu passava o tempo a desenhar tácticas, movimentações de jogadores, ideias de equipas e até possíveis contratações”, recordou. Bruno Vicente revelou que a influência de um professor de educação física, que simultaneamente trabalhava como treinador, acabou por reforçar a sua vocação para seguir carreira no futebol.
“Mais tarde tive um professor de educação física que também era treinador de futebol e isso motivou-me ainda mais para seguir esta área”, contou. A nível académico, o responsável do sector de futebol dos tricolores optou por uma formação especializada, tendo concluído a licenciatura em Educação Física e Desporto, seguida de uma pós-graduação em Treino Desportivo e um mestrado em Gestão Desportiva.
Antes de ingressar na estrutura do Eixo-Viário, o gestor construiu uma trajetória rica em experiências internacionais, com destaque para a sua integração na equipa técnica da selecção olímpica do Ghana nos Jogos Olímpicos de 2004, realizados na Grécia.
“Trabalhámos com jogadores de enorme qualidade, como Micha el Essien, Sulley Muntari, Stephen Appiah e Asamoah Gyan. Foi um período muito enriquecedor, tanto a nível profissional como humano”, informou.
O seu histórico no futebol angola no ficou fortemente marcado pela passagem de sucesso pelo Recreativo do Libolo do Cuanza-Sul, onde participou na transformação de um clube do interior numa potência competitiva nacional.
“Naquele período conquistámos quatro Girabola, uma Taça de Angola e duas Supertaças em 5 temporadas, além de termos disputado a fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos. Foi uma experiência muito marcante e que me deu enorme crescimento profissional”, sublinhou, lembrando o papel crucial do antigo presidente Rui Campos, com quem já debatia em 2013 a criação de uma liga profissional de futebol.
Bruno Vicente fez questão de explicar que a sua evolução resultou da passagem por múltiplas áreas operacionais. “Penso que foi o conjunto de todas as experiências que vivi ao longo do meu percurso. Antes de chegar à função de dirigente desportivo passei por várias áreas do futebol.
Fui treinador, analista, observador de jogadores, e também em coordenação técnica. Tudo isso ajudou-me a ganhar uma visão muito mais completa do futebol, não apenas dentro de campo, mas também ao nível da gestão humana, da organização e da construção de projectos competitivos”, assinalou.
Por: Kiameso Pedro









