A trajectória e os desafios de Maria Pedro Manuel, conhecida artisticamente por “Clareza” e considerada Rainha da Música na província do Bengo, continuam marcados pela resiliência após décadas de carreira ininterrupta
O diálogo com Clareza incidiu sobre o início da sua jornada artística, em 1978, até aos preparativos para o lançamento do seu primeiro álbum a solo, revelando os desafios enfrentados por uma artista que concilia o talento com a escassez de apoios institucionais.
Determinada a superar as dificuldades, a cantora afirmou que, mesmo sem patrocínios ou apoio directo da Direcção Provincial da Cultura e Turismo, mantém a actividade musical graças a outras profissões.
A artista salientou que, apesar das décadas de carreira e do título de Rainha da Música no Bengo, continua a lutar pela sobrevivência da sua arte, defendendo a necessidade urgente de maior apoio à música tradicional e aos artistas veteranos da província.
Um dos momentos mais marcantes da sua vida aconteceu a 13 de Outubro de 2022, quando foi coroada Rainha da Música no Bengo, reconhecimento que a fez sentir valorizada. “Senti-me valorizada, senti-me no auge, senti-me bem”, afirmou Clareza.
A cantora acrescentou ainda que actualmente é vista como a principal representante do Semba feminino na província, enfrentando a forte concorrência de estilos modernos, como o Kuduro.
Produção e lançamento da primeira obra
Apesar das dificuldades, Clareza prepara-se para lançar a sua primeira obra discográfica, ainda sem título definido. O disco, composto por 10 faixas musicais, está a ser produzido sob o selo da Editora Kilombadas, na Terra do Jacaré Bangão, e conta com a participação dos músicos Tyson Uila e Rei Toy, reunindo diferentes gerações e vozes da região.
“Actualmente, a população do Bengo vê-me como a principal representante do Semba feminino ao nível da província”, destacou. Clareza, que completa 65 anos em Junho próximo, referiu que o álbum representa um marco histórico na sua carreira, por se tratar do primeiro trabalho a solo, depois de vários anos de impedimentos ligados a questões familiares.
Questionada sobre a sua identidade musical e o contexto cultural da província, a cantora definiu o seu estilo como versátil, abrangendo géneros como Semba, Rumba, Kilambanga e Kuduro, com letras inspiradas na valorização do Bengo e das suas raízes culturais.
“A produção do disco conta com a colaboração de músicos como Zé António, Tyson Uila e Rei Toy, unindo diferentes gerações e vozes da região”, acrescentou. A artista iniciou a trajectória musical em 1978, aos 18 anos, utilizando instrumentos rudimentares, como batuques de pele ani mal.
Clareza considera que, apesar da riqueza cultural existente no Bengo, o movimento artístico local ainda é frágil e necessita de maior investimento humano e financeiro, sobrevivendo mui tas vezes através de esforços in dividuais e apresentações esporádicas.









