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Planos de desenvolvimento noutras províncias pode ajudar no “desafogar” de Luanda

Maria Custodia por Maria Custodia
25 de Janeiro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

A cidade de Luanda celebra hoje, 25, os seus 448 anos, desde a sua fundação, em 1576, pelo explorador português Paulo Dias de Novais, sob o nome de São Paulo da Assunção de Loanda. Ao decorrer dos anos, esta cidade histórica tem registado um crescimento em termos de infraestruturas, bem como o aumento do índice populacional

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Pelas condições de vida visivelmente superiores às de outras províncias do país, tem atraído os cidadãos à cidade capital. Convidado a falar sobre a cidade capital, por ocasião do seu aniversário, o escritor e investigador Fragata de Morais assegurou que Luanda era uma cidade muito pequena com cerca de 400 mil habitantes.

Era composta, praticamente, pelo actual Distrito da Ingombota e terminava nas imediações da Igreja da Sagrada Família. Sendo que as áreas adjacentes eram matas, isso, até ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

Hoje, com um número superior a 8 milhões de habitantes, considera importante a implementação de políticas de desenvolvimento para a melhoria da qualidade de vida da população, que possa atrair os mesmos para outras províncias.

Uma das medidas que considera importantes para reduzir o êxodo rural na cidade, passa pela implementação de políticas de desenvolvimento para a melhoria das condições de vida da população noutras províncias.

O que passa pela descentralização dos serviços públicos e privados, água, energia eléctrica, serviços médicos, melhores condições de trabalho, vias terrestres, ferroviárias, para escoação dos produtos agrícolas, entre outros.

“Actualmente a estatística local revela que a cidade é composta por mais de 8 a 9 milhões de habitantes, uma diferença muito assustadora. Luanda de ontem é uma Luanda que não tem absolutamente nada a ver com a cidade de hoje”, assegurou.

Segundo o homem das letras, o crescimento populacional ocorreu de forma anárquica, deixando a cidade caótica.

Lembra que em 2002, com o fim da Guerra Civil, os cidadãos começaram a sair das matas para se refugiar na cidadã de Luanda, a única parte do país não abrangida pela guerra.

Pelo facto, refere que “a cidade cresceu sem normas, sem regras, cada um foi assentando-se aonde e como pode. E hoje é uma cidade impossível de gerir e de governar, orque torna-se difícil implementar as leis, numa cidade anárquica, com o índice de criminalidade a aumentar diariamente, fruto do desemprego, falta de condições a nível da educação e da saúde”.

“Deste modo, todos estes e outros problemas contribuem para que a cidade, hoje, não seja um bom lugar para se viver.

Uma das medidas importantes para reduzir o êxodo rural na cidade passa pela implementação de políticas de desenvolvimento para a melhoria das condições de vida da população, que possa atrair os mesmos para outras províncias do interior”, asseverou.

Respeitar o legado

Ainda sobre o assunto, o escritor António Fonseca referiu que o passado é a rodilha do futuro. Portanto, disse que só teremos uma sociedade equilibrada se respeitarmos o legado dos mais velhos. Também, se resgatarmos os nossos valores culturais úteis ao desenvolvimento.

Enfatiza que a cidade capital teve avanços significativos na sua infraestrutura, no crescimento da sua actividade económica, na construção civil, no comércio, nos serviços e, particularmente, na oferta de equipamentos escolares e de saúde.

Entretanto, há várias questões a melhorar, relativamente à construção desordenada que em alguns momentos se viveu, sobretudo com o surgimento de novos bairros, fruto do êxodo do campo para a cidade.

Aponta que “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal, em todo caso, impõe-se também repensar a questão dos transportes públicos como uma prioridade”.

Segundo o escritor, Luanda é uma cidade que não pára de evoluir desde a sua fundação oficial. Que o seu crescimento inicia-se, sobretudo, depois da Conferência de Berlim que impunha aos colonizadores a efectiva ocupação dos territórios reclamados.

Tal promoveu a vinda de muitos portugueses o que, obviamente, impôs o crescimento da construção civil. “

As populações autóctones foram empurradas dos Coqueiros para a Ingombota, Bairro Operário e sucessivamente para espaços mais distantes: Marçal, Rangel, Cazenga, etc”, rematou.

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