Uma palestra triparti da, subordinada ao tema “Cultura: A Evolução Adiada”, terá lugar nesta quinta-feira, 8 de Janeiro, às 17 horas, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), no âmbito das celebrações do Dia da Cultura Nacional
A actividade, inserida nas comemorações do 8 de Janeiro, desenvolver-se-á em torno do tema proposto, destacando o estado actual da Cultura Material e Imaterial de Angola, na sua com ponente de cidadania, enquanto espaço de inserção e expressão das vivências individuais e colectivas.
O evento, que reunirá estudantes de vários níveis de ensino, escritores, investigadores, políticos, jornalistas, nacionalistas, teólogos, auto idades tradicionais, entre outras individualidades, contará com as prelecções de José Luís Mendonça, escritor e membro da UEA; Roberto António, presidente da OLUPE – Organização para a Libertação, Unificação e Pacificação dos Espíritos; e do teólogo Eurico Almeida.
A palestra, organizada em diferentes painéis, abordará igualmente, entre outros aspectos, a tríade nacionalismo, cultura e cidadania, centrando-se em questões fundamentais como o legado dei xado pela Geração do Nacionalismo Angolano e aquilo que ficou por concretizar após a Independência.
O debate visa, ainda, antever os benefícios deixados aos cidadãos em termos de conhecimento científico-cultural e reflectir sobre o modelo de sociedade angolana que se pretende construir, a sua expressividade identitária, bem como os princípios e valores morais, sociais e culturais que devem servir-lhe de base.
Questionado sobre o nível organizativo do evento e o impacto da temática, o palestrante José Luís Mendonça afirmou que tudo está salvaguardado e que o tema deverá ser debatido de for ma aprofundada, em função das intervenções dos participantes.
O objectivo passa por revisitar os legados Pré-Bantu e do encontro das civilizações Bantu e Lusa, na sua dialéctica histórico-cultural, apreciando o homem angola no contemporâneo como resultado dessa longa experiência histórica, de modo a identificar o que ainda falta fazer em Angola no domínio da Cultura, em sentido amplo.
Interpelado sobre a sua percepção de Angola face à temática proposta, o escritor referiu que os nacionalistas defenderam a elevação do angolano independente a um patamar educativo e cultural que o dignificasse, sublinhando que esse projecto dos intelectuais revolucionários continua, até hoje, adiado.
Sobre os passos a seguir para in verter o quadro actual, José Luís Mendonça destacou que o primeiro consiste na criação de um sistema de Educação e Ensino capaz de garantir a cada angolano um nível mínimo de educação média.
“O ensino deve contar com professores bem formados, capazes de transmitir aos estudantes um sólido nível de cultura geral”, afirmou, defendendo igualmente a importação de livros científicos e literários e sublinhando que cada aluno deve dispor de manuais escolares para o seu aprendizado autodidáctico.
Legado do Nacionalismo Relativamente ao legado deixa do pela Geração do Nacionalismo Angolano e ao que ficou por realizar depois da Independência, o escritor salientou que a Geração do Movimento dos Novos Intelectuais preconizou um Renascimento Cultural assente na Identidade Africana.
Contudo, segundo observou, actualmente a sociedade angolana encontra se cada vez mais ocidentalizada. Questionado sobre a sua visão do homem angolano do amanhã, em termos de conhecimento científico-cultural, José Luís Mendonça defendeu que este deve ser um cidadão informado, conhecedor da História.








