Os estudantes universitários participantes na recém-conferência sobre “Vozes Bantu e Não Bantu na Palavra Escrita”, uma rubrica da Academia Angolana de Letras (AAL), instaram a agremiação a promover mais iniciativas do género, visando não só a sua participação, mas também elevar o nível de conhecimento nos domínios científico e cultural
O colóquio, com a duração de 4 horas, foi conduzido pelo Presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho, e moderado pelo professor Bento Sitoe, da Universidade de Mondlane, de Moçambique, e teve a prelecção de Márcia Oliveira, profes sora da Universidade de São Paulo, Brasil.
O debate contribuiu para o fortalecimento da legitimidade do português angolano como variedade plenamente funcional, afastando visões normativas excessivamente centradas no modelo europeu.
O impacto das temáticas foi significativo, uma vez que reafirmou, com base empírica, que o português falado e escrito em Angola não é homogéneo, mas profundamente marcado pelas línguas bantu e por factores socioculturais, históricos e identitários. Satisfeitos, a julgar pelos comentários pós-conferência, solicitaram mais eventos com esta temática e, se lhes fosse repassado o conteúdo aí apresentado pela comunicadora nos diferentes painéis, já garantiram a sua presença na próxima edição do evento.
A forte adesão do público e o pedido para a disponibilização do conteúdo demonstram que há uma procura real por debates sérios, funda mentados e comprometidos com a realidade sociolinguística do país, o que deve encorajar a continuidade e a regularidade de iniciativas semelhantes.
A participação dos estudantes e de outras entidades foi activa e qualitativamente relevante, e as perguntas colocadas, revelaram leitura prévia, espírito crítico e interesse genuíno pelo tema, o que demonstra que há uma nova geração atenta às questões da variação linguística e da identidade cultural.
A plataforma Zoom utilizada para o efeito mostrou-se eficaz, permitindo uma participação ampla e organizada, enquanto o auditório da AAL presente conferiu densidade simbólica e institucional ao evento. Para dar mais força anímica aos debates, a conferencista começou por fazer uma análise dissecada sobre os processos de autonomia das variedades linguísticas e territorialidades.
Esquematizou e classificou as zonas em que determinadas línguas autóctones, observando essas variações regionais, acabam por deter minar as variedades da língua portuguesa aí falada. A também linguista e pesquisadora há décadas por assuntos de línguas de contacto, variedades linguísticas e morfossintaxe, cujos estudos foram desenvolvidos em Angola, Guiné-Bissau, Nigéria, Brasil e não só, revelou elevado rigor metodológico e clareza teórica ao abordar os processos de autonomia das variedades do português em contexto angolano.
O impacto das temáticas foi significativo, uma vez que reafirmou, com base empírica, que o português falado e escrito em Angola não é homogéneo, mas profundamente marcado pelas línguas bantu e porfactores socioculturais, históricos e identitários. Foi uma abordagem que contribuiu para o fortalecimento da legitimidade do português angolano como variedade plenamente funcional, afastando visões normativas excessivamente centradas no modelo europeu.









