As Bibliotecas comunitárias em Luanda, há muito aclamadas, continuam a assumir-se como importantes instituições para democratizar o acesso ao livro, à leitura e à cultura, actuando como agentes de inclusão social, cidadania e transformação em áreas periféricas ou com escassez de recursos. Apesar de escassas e com inúmeras dificuldades, continuam focadas na identidade local, funcionando como espaços de convivência, resistência cultural e troca de saberes, muitas vezes geridos pela própria comunidade
São, na sua maioria, erguidas em espaços adaptados, sem as condições adequadas para a preservação dos livros e/ou acomodação dos leitores. Surgem por iniciativa de pessoas singulares ou pequenos grupos de jovens que se vêem comprometidos com a causa de “ajudar a mitigar a escassez dos livros nas zonas periféricas” e promover o hábito de leitura no seio de jovens, crianças e até adultos.
Começando por vezes com menos de dez livros, as bibliotecas comunitárias nascem de uma ideia, de uma vontade, de um compromisso com a cultura, com a educação e com a cidadania. Não importa o local, a zona ou as condições, elas se tornam, num curto espaço de tempo, espaços de convivência, resistência cultural e troca de saberes, mui tas vezes geridos pela própria comunidade.
Para aferir o grau de funciona mento, aplicabilidade e impacto destes espaços nas distintas comunidades de Luanda, a nossa equipa de reportagem fez-se ao campo para ver, ouvir e conhecer a realidade de algumas destas bibliotecas comunitárias situadas, comummente, em zonas periféricas.
Começámos no município do Rangel, que, apesar das dificuldades de mobilidade e de acesso às distintas localidades, criadas pelas fortes enxurradas, foi também possível nos apercebermos dos danos causados ao acervo bibliográfico nestas últimas semanas.









