O músico e compositor angolano Eduardo Paim anunciou, durante uma entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, o lançamento de um álbum discográfico para este ano, com o qual pretende assinalar os seus 50 anos de carreira
O álbum vai contar com a participação de artistas angolanos, dentre os quais Socorro e Konde Martins, bem como do músico francês Jacob Desvarieux (in memoriam), Tito Paris, além de vozes femininas conhecidas e desconhecidas no mercado artístico angolano e internacional. Sem avançar datas específicas, o artista explicou que a participação do músico francês Jacob Desvarieux deve-se ao facto de, muito antes do seu falecimento, já ter gravado uma música com ele, razão pela qual a presença de uma das vozes mais consagradas do estilo Zouk, falecido em Julho de 2021, consta no projecto.
O músico contou ainda que, apesar de ser um trabalho que já devia ter sido lançado há algum tempo, o público pode esperar muitas novidades, sem que estas se afastem da sua autenticidade artística. “Vai ter novidades, porém apresentarei o estilo de Eduardo Paim, com algumas inovações. Não esperem um Nagrelha nas minhas músicas e nas minhas composições. Não vou entrar em áreas que não me pertencem”, sublinhou o artista, com um sorriso no rosto.
O artista, que fez um balanço positivo das suas actividades ao longo do ano 2025, considerou o período “bastante satisfatório”, marcado por vários trabalhos realizados dentro e fora do país, que culminaram com a sua condecoração no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional.
Questionado sobre os momentos mais marcantes do ano, o músico, que prepara a sua viagem de Portugal para Angola, de forma a passar o fim de ano na sua terra natal, revelou não conseguir quantificálos e sublinhou que cada etapa do percurso tem um valor especial. “Já perdi a conta, visto que prezo com bastante satisfação todos os episódios deste trajecto ao longo do ano”, disse.
Desafios no ano transacto
Ao falar sobre os desafios enfrentados ao longo do percurso artístico, o músico destacou valores como determinação e resiliência e encarou as dificuldades como parte natural da caminhada. “Enfrentar desafios perante o que se pretende é absolutamente normal. Nada tenho a lamentar, pois qualquer benefício implica algum sacrifício”, afirmou.
No fim da conversa, o ‘Rei da Kizomba’, como é carinhosamente tratado no cenário artístico angolano, não escondeu o sentimento de gratidão pelo carinho que recebe dos fãs, tanto em Angola como na diáspora, numa fase em que se aproxima da celebração dos seus 50 anos de carreira musical, e aproveitou a ocasião para deixar uma mensagem aos seus fãs.
“Aproveito o momento para desejar ao meu querido público votos de festas felizes e um próspero 2026, em sinal de gratidão por tudo que me têm proporcionado”, reforçou.
Trajectória do Rei da Kizomba
Nascido em Brazzaville, na actual República Democrática do Congo (RDC), mas crescido em Luanda, Eduardo Paim é músico, compositor, arranjista e produtor angolano, que exerceu grande influência no circuito musical angolano na década de 80 e no início da década de 90.
Considerado um dos mais influentes criadores do género musical Kizomba, Eduardo Paim é tido como um dos mais sonantes artistas da música nacional, com maior incidência neste estilo, que lhe valeu a atribuição do título de “Rei da Kizomba”. Com uma carreira sólida e consolidada em Angola e no exterior, Eduardo Paim conta com três álbuns no mercado, nomeadamente Luanda, Minha Banda (1991), Do Kayaya (1992) e Kambuengo (2014).









