Angola já está a menos de um ano da realização das próximas eleições gerais. Há dias, num comunicado feito ao público, o Tribunal Constitucional anunciou aqueles que poderão vir a ser os contendores em 2027, embora acredite que, até meados do próximo ano, ainda possam haver novidades. Há nomes. Há também antigos.
Alguns totalistas, desde que o país realizou as suas primeiras eleições em 1992, vencidas pelo MPLA e protestadas pela UNITA, culminaram num retorno à guerra, cujas consequências foram imprevisíveis tanto para os políticos, militares, quanto para os cidadãos em geral. Desde então, à medida que se aproxima um pleito, surgem as habituais desconfianças, muitas das quais podem acabar por ser tidas como infundadas por falta de provas que possam depois dar guarida às acusações e até números que são trazidos a público.
É indiscutível que, desde que o país realizou as primeiras eleições, em 1992, num momento crítico, quase nunca houve um reconhecimento tácito de quem tenha sido apresentado como perdedor e assuma de facto. É visível, em certos momentos, afirmações de que se tenham reconhecidos os resultados das primeiras eleições, mas é igualmente verdade que ainda hoje muitos dizem o contrário, incluindo os próprios correligionários. As duas últimas eleições acabaram por vivenciar mo mentos caricatos.
De um lado, uma falta de reconheci mento por aludidas fraudes, com um grupo parlamentar apupando o líder do partido vencedor, com cartões inclusive, mas, do lado de fora, o líder do maior partido na oposição garante, em alto e bom tom, que ‘nunca falara em fraudes’ nas referidas eleições. Com as eleições de 2027 a aproximarem-se a passos largos, embora não tenham sido ainda convocadas oficialmente, a UNITA preferiu inaugurar, depois dos acontecimentos do Uíge, uma narrativa daquilo que poderá ser o processo.
Antes mesmo da realização, o líder da JURA, Nelito Ekukui, já disse que, desta vez, não vão segurar a população. Ou seja, dá a entender que é apologista de que os populares saiam à rua para demover o MPLA do poder.
‘Eles vão matar uns tantos, mas não vão matar todos’, ouviu-se do político. Anteontem, segundo a Lusa, o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, criticou o processo de registo eleitoral e de massificação do Bilhete de Identidade.
Diz que o MPLA estará a privilegiar os seus militantes em detrimento dos que pertencem aos outros partidos. Seria bom que surgissem com provas destes factos, tendo em conta que se trata de um processo público, anunciado aos quatro cantos pela comunicação social e que os populares, ao que tudo indica, se dirigem por livre e espontânea vontade.
Só assim se poderá concluir que, à semelhança do futebol, a UNITA e talvez outros partidos da oposição não estejam já a jogar sob protesto. Porque é impossível acreditar em coincidências, nem tão pouco que o secretário deste partido em Cacuaco não saiba que sempre houve equipas móveis do BUAP, que surgiram através de um concurso público, no qual concorreram milhares de pessoas.












