Uma das frases mais enigmáticas avança das pelo malogrado Presidente José Eduardo dos Santos terá sido aquela em que considerava os angolanos como um povo especial.
Passados vários anos, confesso, ainda não consegui compreender no essencial o que quis dizer o arquitecto da paz. Mas, hoje, sempre que leio, escuto ou vejo determinadas situações, convenço-me de que seremos, provavelmente, um povo especial. E há razões do ponto de vista positivo e, sobretudo, negativo para tal.
Senão, confesso, não haveria como não me convencer disso. Há dias, um jovem empresário angolano do showbiz decidiu realizar um espectáculo músico-cultural em Portugal. Fez deslocar a este país uma delegação composta por músicos, convivas e técnicos.
Diz-se que terão sido cerca de 600 pessoas as que acorreram ao local, uma moldura humana significativa, sobretudo num território que se habituou a enviar para Angola músicos e não o inverso.
Era expectável que essa actividade merecesse dos angolanos, sobretudo jovens, mensagens de apreço pela façanha. Contrariamente, vimos alguns ataques contra a iniciativa e, pior ainda, teses infunda das, como se os empresários fossem seres extrater restres e não precisassem, quando necessário, de parcerias comerciais. Vai-se tornando um hábito criticar-se por criticar.
Nem que para tal se inventem inverdades com o único objectivo de que o mérito ou as coisas boas que vão sendo feitas não devam merecer dos angolanos uma apreciação positiva. É o caso, por exemplo, da esquadra policial colocada no Bairro Paraíso, em Luanda, onde a criminalidade sempre esteve em alta.
Quando, na altura, o actual ministro do Interior estava na pele de governador da província de Luanda, visitou o bairro, e uma das primeiras preocupações que lhe fora solicitada era a questão da segurança pelos próprios moradores. Claro que a esquadra, com os meios colocados, vem responder a esta solicitação, sendo que agora o Executivo poderá responder às outras preocupações.
À semelhança de outras vezes, começaram a surgir as narrativas de que havia outras preocupações e de que se foi colocar uma esquadra no meio da pobreza. Como se fosse possível fazer investimentos em lo cais em que a segurança seja precária ou se deveria deixar os populares à mercê de meliantes.
Agora, depois de largos anos de martírio para a deslocação entre Cabinda e o resto do país, o Executivo investiu num navio moderno: o Tchiowa. Um meio moderno que vai, de facto, revolucionar o transporte de pessoas, mercadorias e outros bens entre aquele território e os demais, acabando, inclusive, com as comissões e a sobrecarga a nível do transporte aéreo.
Como não poderia deixar de ser, já há movimentos tentando minimizar os efeitos que a embarcação trará. Para tal, são várias as teorias que se vão construindo, existindo até quem já ponha em causa a segurança do meio antes mesmo de terem lá viajado. Temos ou não razões para crer que somos, de facto, um povo especial?









