Observar animais selvagens num zoo é uma experiência curiosa. Há qualquer coisa de fascinante em estar diante de um animal que, em outras circunstâncias, dificilmente conseguiríamos ver tão de per to.
Podemos ficar alguns minutos a observar um leão, admirar a imponência de um elefante, reparar na forma como os macacos se movimentam ou simplesmente ficar diante de uma girafa a tentar perceber como é possível um pescoço daquele tamanho pertencer ao mesmo animal que vemos na nossa frente. E há sempre pessoas felizes por estarem ali.
Crianças apontam, adultos foto grafam, alguém chama outra pessoa para ver melhor, os telemóveis aparecem e, durante alguns minutos, todos parecem esquecer o resto.
Mas, ao observar os animais, surge a seguinte questão: Será que eles sabem que estão presos?
Não sei. Não faço ideia do que passa pela cabeça de um leão que nasceu num zoo. Não sei se ele olha para aquela área cercada e pensa no espaço que existe para lá da vedação.
Não sei se uma girafa criada ali sente falta de uma savana que nunca conheceu. Não sei se um macaco que sempre viveu naquele ambiente consegue imaginar uma floresta diferente daquela que lhe construíram. E quanto mais pensamos nisso, mais a pergunta começa a deixar de ser sobre os animais.
Começa a ser sobre nós. Porque uma prisão é sempre uma prisão?
Ou pode existir uma prisão tão confortável que deixamos de lhe chamar prisão?
O animal do zoo tem comida à hora certa, água disponível, cuidados veterinários, abrigo e, em muitos casos, não precisa de lutar diariamente pela sobrevivência. Alguém trata daquilo que, na natureza, te ria de conquistar.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”





