Uma empresa pode ter profissionais alta mente qualificados, bons resultados financeiros e uma estrutura organizacional aparentemente eficiente. Mas será que isso é suficiente para dizer que é uma boa empresa? A resposta é não. A competitividade no mercado angolano aumenta a cada dia que passa. A competência técnica é indispensável, mas deixou de ser suficiente.
As organizações precisam de profissionais que saibam fazer, mas também que saibam como fazer. É precisamente neste espaço que a deontologia profissional assume uma importância que, muitas vezes, ainda é subestimada nas empresas privadas. A deontologia profissional traduz-se num conjunto de princípios e deveres que orientam a conduta de quem exerce de terminada actividade.
No contexto empresarial, significa actuar com integridade, responsabilidade, lealdade, respeito, confidencialidade e sentido de compromisso com a organização e com os demais trabalha dores. Não se trata, portanto, de exigir que o trabalhador seja per feito.
Trata-se de estabelecer limites claros para comporta mentos que podem prejudicar a empresa, os colegas, os clientes e a própria relação laboral. O problema começa quando confundimos produtividade com profissionalismo.
Um trabalhador pode atingir os seus objectivos e, simultaneamente, violar regras de confidencialidade, desrespeitar colegas, utilizar indevidamente recursos da empresa, favorecer interesses particulares ou adoptar comportamentos incompatíveis com os valores da organização.
Da mesma forma, um gestor pode apresentar excelentes resultados financeiros e, ainda as sim, exercer a liderança através do medo, do abuso de autoridade, do favorecimento ou da falta de respeito pela dignidade dos trabalhadores.
É por isso que a deontologia não pode ser exigida apenas aos trabalhadores. A liderança, sobretudo, tem de veres éticos. Não é razoável exigir integridade, pontualidade, respeito e lealdade aos trabalhadores quando aqueles que dirigem a organização adoptamcomportamentos contrários aos mesmos princípios. A cultura de uma empresa não se constrói apenas através de regulamentos; constrói-se, sobretudo, através do exemplo.
Por: YONA SOARES





