Em conversa com um amigo, apesar de ele ser adepto ferrenho do 1º de Agosto, louvámos a iniciativa FAF de levar a disputa da Supertaça para o Estádio Nacional Vici António, nas imediações da Centralidade do Kilomosso, na província do Uíge. A iniciativa merece, mais uma vez, os meus aplausos.
Os amantes do desporto-rei nas terras do Bago Vermelho tiveram a oportunidade de testemunhar, no Domingo, um excelente jogo, que culminou com a vi- tória, por 1-0, do Petro de Luanda diante do Wiliete de Benguela. Com este triunfo, os tricolores conquistaram o décimo troféu que abriu a temporada futebolística 2026/2027, graças ao golo solitário de Ivan Cavaleiro, jogador formado no Sport Lisboa e Benfica, de 32 anos. Foi uma verdadeira festa da bola, dentro e fora do campo.
O espectá- culo também beneficiou o sector hoteleiro, uma vez que as duas melhores equipas da actualidade arrastaram muitos adeptos, que se alo- jaram em residenciais e outras unidades hoteleiras. Tendo em conta a lotação total do estádio, que tem capacidade para dez mil espectadores, acredito que a FAF também tenha arrecadado uma boa receita com a venda de bilhetes. Afinal, futebol também é negócio, como acontece em outras realidades.
Até aqui tudo bem. Contudo, enquanto decorria o jogo e as “estrelas” desfilavam o perfume da bola, um aspecto chamou-me a atenção pela negativa: o estado da relva do Estádio Nacional Vici António. Em algumas zonas do recinto já eram visíveis clareiras, situação preocupante para uma infra-estrutura inaugurada pelo ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, no dia 03 de Novembro de 2025.
Para evitar que o Vici António tenha o mesmo triste destino do Estádio Nacional do Chiazi, em Cabinda, palco de uma das séries do CAN 2010 e que hoje se encontra praticamente ao abandono, é imperioso encontrar uma solução séria e sustentável para a gestão deste e de outros equipamentos desportivos do país.
Por exemplo, aquando da inauguração do Estádio Nacional Vici António, o ministro da Juventude e Desportos anunciou que o gestor do recinto seria escolhido por via de concurso público. O certo é que, até ao momento, “nem água vai, nem água vem”, ou seja, continua a ser o próprio MINJUD a assegurar a gestão do estádio.
Ora bem, uma infra-estrutura desta dimensão não pode ficar dependente apenas da gestão directa do Estado. A experiência mostra que a manutenção permanente de equipamentos desportivos exige conhecimento técnico, capacidade de gestão e recursos financeiros próprios. Hoje é a relva que carece de atenção redobrada. Amanhã poderá ser o elevador, o sistema eléctrico, os balneários ou qualquer outro equipamento.
E quando os problemas se acumularem, o Governo terá novamente de disponibilizar milhões de kwanzas para recuperar uma infra-estrutura que deveria estar a gerar receitas e a funcionar em pleno. Importa recordar que esse dinheiro também é necessário para sectores como a Saúde e a Educação, que enfrentam enormes necessidades no nosso país. Por isso, a entrega da gestão do Vici António e outros recintos desportivos a uma entidade privada, mediante um concurso público transparente e com responsabilidades claramente definidas, poderia ser uma alternativa a considerar.
O Estado devia manter a função de fiscalização e garantiria que o recinto continuasse ao serviço do interesse público, enquanto o gestor teria a obrigação de assegurar a manutenção, conservação e exploração comercial. Não basta construir vários estádios e pavilhões. É necessário garantir que continuem funcionais, bonitos e operacionais muitos anos depois das cerimónias de inauguração.
O Vici António ainda está a tempo de evitar um destino semelhante ao de outras infra-estruturas desportivas que se degradaram por falta de manutenção e de uma gestão eficiente. Que o alerta sobre a relva sirva para despertar consciências. Cuidar hoje é muito mais barato do que reconstruir amanhã, meus senhores. Jornalista





