A ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, revelou, esta terça-feira, em Luanda, que foram registados mais de 774 mil empregos formais entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, ao mesmo tempo que se verificou uma redução superior a 75% na extinção de postos de trabalho face a 2022.
A ministra, que discursava no workshop sobre a Juventude e o Primeiro Emprego, fez saber que a taxa de desemprego em Angola baixou para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, contra os 31,9% registados no final de 2023.
Ainda durante a sua intervenção, Teresa Rodrigues Dias destacou os progressos registados na resposta ao desafio do emprego, sublinhando, ao mesmo tempo, que o país ainda enfrenta desafios relacionados com a informalidade e a necessidade de garantir empregos formais, sustentáveis e com protecção social.
Segundo Teresa Rodrigues Dias, a taxa de desemprego situava-se próxima dos 30% em 2023, ano em que foi aprovada a Agenda Nacional para o Emprego.
Em 2025, a taxa estava em 28,3%, tendo descido para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com os dados mais actualizados apresentados pela governante.
A ministra explicou que a discussão sobre o emprego deve ir além da simples criação de postos de trabalho, defendendo a necessidade de aumentar o número de empregos formais, dignos e sustentáveis.
De acordo com os dados apresentados, a informalidade abrangia cerca de 77,7% da população empregada em 2025, realidade que, segundo a governante, exige uma resposta articulada entre o Estado, empresas, instituições de ensino e parceiros sociais.
Protecção Social
No domínio da protecção social, a ministra informou que o Sistema de Protecção Social Obrigatória conta actualmente com cerca de 3,55 milhões de segurados, representando um crescimento de aproximadamente 40% em relação a 2022.
A governante destacou igualmente a expansão da formação profissional como parte da estratégia de resposta ao desemprego juvenil. Segundo os dados apresentados, a rede de Centros de Formação Profissional passou de 1.445 centros em 2022 para 2.419 actualmente, mais do dobro do número registado naquele ano.
Ao longo deste período, 598.221 cidadãos concluíram a sua formação profissional, enquanto 352.565 jovens foram enquadrados no mercado de trabalho através dos centros de emprego e das agências de intermediação laboral.
Teresa Rodrigues Dias destacou também o papel do Fundo Nacional do Emprego (FUNEA), que, segundo afirmou, já desembolsou cerca de 12,9 mil milhões de kwanzas para financiar projectos estratégicos, incluindo o JOBE Angola, que conta com mais de 92 mil beneficiários.
Programa JOVEM+
Outro instrumento apresentado foi o Projecto JOVEM+, com vigência de 2026 a 2030 e financiamento do Banco Mundial.
A iniciativa foi concebida para promover a empregabilidade e a capacitação juvenil e prevê beneficiar mais de 500 mil angolanos entre os 16 e os 35 anos.
Do universo previsto pelo projecto, pelo menos 40% dos beneficiários deverão ser mulheres e 6% pessoas com deficiência, segundo a ministra.
A governante explicou que a resposta ao desemprego jovem não pode limitar-se à criação de postos de trabalho, defendendo uma maior ligação entre o sistema de ensino e as empresas, a formação profissional, os estágios, a orientação profissional, o empreendedorismo e a informação sobre o mercado de trabalho.
Teresa Dias chamou ainda a atenção para as transformações provocadas pela inteligência artificial, automação, digitalização e economia verde, que, segundo afirmou, estão a alterar profundamente o mercado de trabalho e a fazer surgir novas profissões.
Neste contexto, defendeu uma mudança de paradigma na preparação dos jovens, passando de uma formação direccionada para uma profissão específica para um modelo que privilegie a capacidade de aprender continuamente, adaptar-se e desenvolver novas competências ao longo da vida profissional.
A ministra destacou igualmente o trabalho da Inspecção-Geral do Trabalho na defesa dos direitos laborais. Entre 2022 e o primeiro semestre de 2026, o órgão realizou cerca de 25 mil inspecções em todo o território nacional, abrangendo 931.636 trabalhadores.
As acções inspectivas resultaram ainda, segundo os dados apresentados, num valor global de aproximadamente 2,76 mil milhões de kwanzas em indemnizações a favor dos trabalhadores.
Para Teresa Rodrigues Dias, estes resultados demonstram que Angola tem vindo a construir um sistema integrado de promoção do emprego, assente em cinco áreas: visão estratégica, coordenação, desenvolvimento de competências, financiamento e produção de informação sobre o mercado de trabalho.
A ministra considerou, no entanto, que os progressos alcançados não significam que o desafio esteja ultrapassado. Defendeu, por isso, uma “aliança nacional” em torno da juventude, baseada no diálogo, inovação, qualificação e preparação do país para as transformações do futuro.





