O clima de consternação gerado pelo acidente que vitimou as 22 pessoas que viajavam entre Benguela e Luanda, nesta Segunda-feira, aumentou de intensidade. O facto de muitos dos corpos terem ficado completamente carbonizados tornou-se um outro imbróglio, solicitando os possíveis familiares destes a intervenção dos técnicos que têm estado a trabalhar na CIVICOP.
Cada um, a seu jeito, vai procurando entender as causas da tragédia. Há, entre os vários escritos e depoimentos feitos, quem aponte hipoteticamente para o estado em que se encontra a estrada, como a falta de iluminação, ao passo que outros não tergiversam em concluir que as culpas sejam atribuídas ao motociclo que transportava bidões de combustível.
Um dos textos que pude ler, um dia depois da tragédia, foi o de uma empresária agrícola, que se questionava sobre as razões que fazem com que os motociclistas circulem quase que de forma impune nas estradas do país, muitos dos quais contribuindo para o surgimento de alguns acidentes. Há alguns anos que aumentou consideravelmente, em circulação, o número de motorizadas, de duas ou três rodas. Tanto nas cidades como no campo. Uma ou outra serve tanto para transportar pessoas como mercadorias.
Naqueles espaços, onde não existem táxis formais, os mototaxistas acabaram por preencher o vazio, tornando-se eles próprios os que acabam por facilitar a transportação de estudantes, trabalhadores e outros cidadãos. O que antes se pensava ser um fenómeno restrito às periferias, rapidamente acabou por invadir igualmente as grandes cidades, incluindo em Luanda, onde surgiram empresas especializadas para o efeito.
Nas transportadoras formalizadas –e provavelmente em algumas pouco informais- os mototaxistas terão habilitação que lhes permita conduzir as motorizadas e transportar pessoas de um lado para o outro. Mas a maioria que realiza a referida actividade está desprovida de qualquer formação para o efeito, não se descurando que a inexistência esteja na causa de alguns acidentes de trânsito.
É verdade que, em algumas localidades do país, a proibição deste tipo de meio acabaria por criar sérios problemas de locomoção, incluindo aqui mesmo na periferia e determinadas zonas peri-urbanas. Ainda assim, é necessário que se continue com o processo de formação destes jovens, muitos dos quais não são capazes até de perceber que a falta de iluminação na motorizada tem consequências nefastas.
A falta de emprego e, muitas vezes, o aproveitamento político de muitos, instrumentalizando até os próprios jovens, acabam por ser as razões por trás da retracção na adopção de certas medidas que podem parecer impopulares. Mas a continuidade do estado de coisas acabará enlutando, cada vez mais, as famílias de Norte a Sul.
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