Foi num dos tramas da saga “Velocidade Furiosa (O Olho de Deus)” em que um hacker procurava transformar um dispositivo tecnológico numa arma poderosíssima, à semelhança de muitos ataques cibernéticos que vamos observando pelo mundo. Ontem, depois de me ter percebido do ataque, vieram à memória questões como muitas que só víamos em filmes.
O que pretenderão os que atacaram? E que relação, por exemplo, haverá entre a venda em bolsa desta empresa, uma das mais apetecíveis do nosso mercado, e as acções que ocorreram? Nos últimos anos, apesar da entrada de muitas palavras no nosso léxico, não era comum a ocorrência de invasões cibernéticas como as que vimos nos últimos três anos.
Há um ano, durante a realização do Angotic, um dos responsáveis da UNITEL, José Sobral, havia já anunciado que Angola era o segundo país africano mais afectado por ataques cibernéticos, numa ocasião em que se discutiam temas como a fraude digital e a segurança cibernética.
Até então, nada previa que se pudesse observar um ataque semelhante ao que se diz ter ocorrido na madrugada de ontem, eclipsando todas as comunicações de voz e dados durante um largo período.
Num ápice, cerca de 20 milhões de cidadãos viram-se impedidos de efectuar telefonemas, pagamentos, realizar reuniões e outros serviços por conta do ‘apagão’ cibernético, que, segundo a própria operadora, num comunicado oficial, ‘pelas 2h20 da madrugada de Terça-feira, dia 28 de Julho, a sua infra-estrutura tecnológica foi alvo de um ataque informático, tendo o facto perturbado os serviços de voz, de dados móveis e de acesso à Internet em todo o território nacional”.
E acrescentou ainda que“foram de imediato postos em marcha os mecanismos de resposta e de contenção previstos para casos desta natureza, tendo sido mobilizadas as equipas técnicas e de segurança informática da empresa”.
Até ao momento em que escrevia este texto, não existia ainda qualquer retorno à normalidade, o que fez com que alguns migrassem imediatamente para a concorrência da UNITEL.
Acredita-se que só nos próximos dias a operadora poderá ter noção exacta dos estragos, assim como da origem do ataque. Para já, a coincidência entre o ataque e a venda dos 15 por cento, que anteriormente se encontrava em mãos privadas, suscita algumas reacções, uma vez que a venda em bolsa é tida em muitos círculos políticos e económicos como uma das melhores transacções feitas por intermédio da Bodiva.
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