Foi em Janeiro deste ano que o Ministério Público, por conta de dois processos existentes, emitiu um mandado de captura contra o cidadão libanês Youssef Zeineddine, de 33 anos, acusado de vários crimes, incluindo financeiro.
Até então, pouco ou quase nada se sabia do ainda foragido. Era quase que um fantasma para muitos, razão pela qual, se calhar, poucos tivessem noção da dimensão das actividades em que supostamente estava envolvido. Pouco tempo depois, através de vídeos publicados nas redes sociais, Youssef Zeineddine, veio a público, a partir do seu país de origem, prestar informações sobre as acusações que ainda pendem sobre a sua pessoa.
O libanês integrava — ou ainda integra — um grupo de indivíduos que praticam crimes informáticos, invadindo, sobretudo, os sistemas de bancos, mas contando quase sempre com a intervenção de cidadãos angolanos, muitos dos quais funcionários das próprias instituições vítimas destas acções. Quando assisti aos primeiros vídeos, muitos dos quais ainda possíveis de serem revisitados, ficou patente que se tratava de um grupo extremamente organizado.
Onde, além dos angolanos, vinham a propósito para Angola ‘hackers’ e outros criminosos informáticos de outros países, como nigerianos e de outros pontos de África, especificamente para desenvolverem estas acções e depois seguirem para os seus países ou noutros, onde enviavam o dinheiro.
É provável que, na altura, houvesse quem visse os pronunciamentos do foragido como sendo somente uma jogada de mestre para que não seja responsabilizado isoladamente. Afinal, são poucas as vezes em que um indivíduo se apresenta, mesmo à distância, para justificar o crime cometido, envolvendo milhares de milhões de kwanzas ou até milhões de dólares norte-americanos.
Seis meses depois, a apreensão de um grupo em Luanda, denominado ‘Terminal – Linha de Comando’, que se preparava para defraudar bancos e outras instituições financeiras em mais de 10 mil milhões de dólares, confirma o modus operandi narrado pelo libanês. Uma situação extremamente preocupante.
O envolvimento de diversas figuras, sobretudo as de nacionalidade estrangeira, apresentadas e denunciadas pela DIIP, demonstra um certo interesse por supostas fragilidades do sistema, ou até mesmo de redes nacionais que há muito vão subtraindo quantias nos bancos e outras instituições financeiras através de crimes informáticos.
A organização criminosa apresentada ontem é formada por brasileiros, nigerianos e namibianos. Claro que constam destes grupos cidadãos angolanos, muitos dos quais ligados à própria banca, como há quase meio ano foi denunciado pelo libanês foragido, assim como integrantes de órgãos que deveriam velar pela segurança das próprias instituições.
A frequência faz com que muitos se questionem se o país se terá já tornado num paraíso para hackers, desprovido de quaisquer seguranças por parte das próprias instituições financeiras. Muitos dirão que não, mas, ainda assim, há que nos questionarmos sobre a persistência de forasteiros, em conivência com muitos nacionais, em escolherem o país para as suas acções criminosas.






