Anos passam e o consumo do jornal impresso começa a perder o peso que antes possuía em Luanda, como se pode constatar nas ruas da cidade. A nova realidade deste órgão de comunicação, conhecido como o mais tradicional, afecta directamente a profissão dos ardinas, responsáveis pela venda de jornal
Para defender os interesses dessa classe trabalhadora e tentar impedir a sua extinção, José Manuel, em companhia com outros ardinas, criou a Associação dos Ardinas de Angola (AAA). Entrevistado por este jornal, o indivíduo retratou a realidade vivida pelos ardinas e intenção da criação da associação, existente desde 2025. A conversa com José Manuel decorreu no interior de uma barraca, situado num dos bairros do Hoji-Ya-Henda, para evitar o ruído que se produzia ao ar livre, onde se apreciava o compasso das pessoas.
Foi no interior do recinto que o entrevistado começou por apontar as formações que fez ao longo do tempo, há cerca de 14 anos, uma das quais no BRITS e a outra no Núcleo dos Amigos Jornalistas do Rangel (NAJOR), ambas em jornalismo impresso e técnicas de redacção de textos jornalísticos, metodologia e ética e deontologia profissional.
Em 2006, como conta, por influência de algum funcionário de uma distribuidora de jornais, começou a vender jornal na província do Namibe, onde residia inicialmente.
“Assinei um contrato com uma distribuidora, que me permitia vender jornais e ao fim de um mês auferir um deter minado valor”, explicou, dando conta de que não exerce a profissão de ardina desde 2022. Desde 2022 até a presente data, o cidadão de 36 anos não exerce a profissão de ardina e depende de outras pessoas para se suster, contou ao repórter.
“Uma das razões pelas quais se criou a AAA é o facto de as empresas distribui doras não reconhecerem os ardinas como quadro ocupacional da empresa”, frisou, afirmando que, para estas, os ardinas não são reconhecidos.
Segundo o responsável da comissão instaladora da Associação dos Ardinas de Angola, o número de ardinas enquadra dos nas empresas distribuido ras conta-se, sendo que estes são considerados prestadores de ser viços e/colaboradores, um quadro que a associação pretende reverter. “Grande parte compra o jornal, revende e tira o seu lucro. Eis a razão de querermos forma lizar a actividade e ter uma parceria directa com as distribuidoras registadas no país”.
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