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É de hoje… O ‘fim’ dos laranjas

Dani Costa por Dani Costa
12 de Junho, 2026
Em Opinião

Conhecido político angolano disse, certa vez, que no nosso país havia a percepção de que a esquerda construía e, do outro lado, a direita acabava por se apropriar daquilo que tinha sido feito. Na verdade, há muito que a questão da ideologia política deixou de ser o eixo central da actuação de muitas das forças existentes.

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Se, anteriormente, se tinha a convicção de que alguns se pudessem identificar mais à esquerda ou mais à direita, com o andar do tempo, foi-se esfumando qualquer hipótese de que se estivesse a actuar neste sentido. É sabido que, formalmente, é possível saber que os partidos políticos têm cada um deles uma certa inclinação.

Mas a prática revela que muitos dos seus integrantes no passado – e outros na actualidade – tiveram posicionamentos incapazes de serem enquadrados nas ideologias escritas nos seus estatutos e alguns justificados nos programas ou planos de acção que apresentam aos angolanos. E a falta de posicionamento, sobretudo, em figuras de proa, fez com que, ao longo dos anos, muitos se apresentassem diferentes daquilo que, na verdade, eram, ou são na calada da noite.

Muitos daqueles que apresentavam ideias contrárias à burguesia ou ainda à própria economia de mercado, cujos primeiros passos começaram a ser dados muito antes da adopção do multipartidarismo, acabaram por se transformar em latifundiários e accionistas de companhias de relevo e detentores de negócios, muitos dos quais só possíveis por conta de posições privilegiadas que exerciam.

Os primeiros anos da ‘verdadeira’ economia de mercado vieram a mostrar que muitos dos que se tinham beneficiado do processo de privatização de determinados activos eram figuras que, um determinado momento, só poderiam ter acedido a tais patrimónios por conta da folha de serviços.

Num modelo mais sofisticado, os anos dourados da economia do país acabaram por criar uma outra elite, onde muitos dos beneficiários de estratagemas que tornaram muitos destes endinheirados não podiam sequer assumir a titularidade de empresas e outros bens por serem, na altura, Pessoas Politicamente Expostas. Através de procurações – e outros expedientes – ainda assim dominam e acabam por influenciar negócios.

É provável até que alguns o façam ainda nas mesmas situações, em que de manhã actuam com uma ideologia, mas à noite já o fazem noutros moldes. E este tem sido um dos entraves para que Angola avance em certos domínios, alguns dos quais impostos pelo GAFFI para que se saísse da lista cinzenta.

Felizmente, a Assembleia Nacional aprovou, há dias, a proposta de alteração da Lei de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, ao Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa, por unanimidade na especialidade, o que torna o documento num verdadeiro mecanismo de prevenção, detecção e repressão do branqueamento de capitais e do financiamento de actividades ilícitas, reforçando simultaneamente a capacidade de resposta das instituições de fiscalização financeira. Espera-se com isso que venham a desaparecer os laranjas, como dizem os brasileiros, e os verdadeiros donos possam dar a cara.

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