Trinta e cinco anos depois, Angola assinalou com pompa a assinatura dos Acordos de Bicesse, em actos públicos que contaram com um dos seus principais negociadores, o então primeiro-ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso. De uma pequena cidade na antiga potência colonizadora, os angolanos esperavam que viesse a sair a paz definitiva. Ledo engano.
Apesar das eleições ocorridas em 1992, numa fase embrionária do multipartidarismo, em que participaram muitos partidos, incluindo os tradicionais FNLA, MPLA e UNITA, os resultados acabaram por ser catastróficos, cujos efeitos ainda se fazem sentir. A prolongação do conflito, na sequência da recusa dos resultados eleitorais, fez com que mais infra-estruturas fossem destruídas, a maioria totalmente e outras de forma parcial.
Há mesmo quem diga que os efeitos da refrega militar entre 1992 terão sido os mais sombrios, não obstante o interregno por conta do Protocolo de Lusaka em 1994. A força dos armamentos adquiridos a preço de ouro, com o brilho até de pedras preciosas extraídas em zonas ocupadas, acabou por transformar escolas, hospitais e outras infra-estruturas públicas em autênticas ruínas.
As estradas, algumas delas herdadas da época colonial, deram lugar a picadas, acidentadas e perigosas, que ainda nos dias de hoje vão ceifando vidas. Após o fim do conflito em 2002, na sequência da morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi, Angola precisava urgentemente de capital para se reerguer, no âmbito de um projecto de reconstrução nacional que envolve ria custos avultados estimados em muitos milhares de milhões de dólares norte-americanos. Era expectável na época, isto é, depois de 2002, que hou vesse uma conferência de doadores, onde o país pudesse obter apoios para a empreitada que possuía.
A Europa, continente onde iniciara as negociações de paz, acabou por virar as costas a Angola, deixando-a à sua mercê, obrigada a procurar outras soluções, embora com condições menos exigentes para o acesso ao crédito.
A China foi a opção. E não tergiversou. Apoiou Angola desde o primeiro momento, quando a Europa e outras instituições financeiras não o fizeram, permitindo que o país iniciasse um processo acelerado de reconstrução nacional que abarcou estradas, escolas, hospitais e centros de saúde, estações de tratamento de água, residências e até novas centralidades.
Pena é que, segundo suspeitas, parte significativa dos vários mil milhões de dólares cedidos pelas autoridades chinesas poderão ter servido interesses particulares. Hoje, alguns exemplos ou exigências vão demonstrando que nem tudo terá sido colocado à disposição do próprio Estado e dos angolanos.
Ainda assim, a dívida existe. E só honrando é que se poderá ter acesso a outros benefícios, pese embora o facto de as autoridades angolanas já não se terem manifesta do disponíveis para negociar nos moldes anteriores que endividaram o país até ao pescoço.
E o Executivo do Presidente João Lourenço vai honrando o pagamento, que poderá culminar, brevemente, com mais investimentos no país e, consequentemente, a melhoria das con dições de vida dos angolanos.
FILDA 2026





