O período de espera para a escolha do novo técnico dos Palancas Negras fez com que dezenas, senão milhares de aficionados do futebol, ficassem enfurecidos por conta da forma como o anterior técnico, Pedro Gonçalves, acabou afastado pouco tempo depois de ter recebido indicações de uma possível permanência no comando da equipa.
A entrada em cena, a meio do jogo, de Pautrice Beaumelle colocou ainda mais água na fervura. Pensava-se que o luso, independentemente da desavença que já não se podia esconder com o novo elenco, ainda pu desse dirigir a Selecção Nacional.
Só posteriormente, caso não tivesse uma campanha airosa no último CAN, realizado em Marrocos, poderia encontrar um destino diferente.
Impaciente, Alves Simões e a sua equipa, que só foram colhendo desastres, não só viram sair Pedro Gonçalves, afastado, como também viram o seu Messias, Beaumelle, zarpar sem pestanejar depois de algumas juras de amor até perante a comunicação social.
Os fracassos e descoordenação fizeram com que se aumentasse a expectativa em torno do substituto do técnico luso e francês.
Só por isso, até se mencionar o no me de Aliou Cissé, houve um hiato que gerou não só desconforto, como também se conjunturava que, por conta dos fracassos passados, era importante que se visse alguém que viesse trazer mesmo uma nova filo sofia ao conjunto nacional.
Esta semana, ao contrário da passada, em que se perspectivava a apresentação dos escolhidos, o técnico senegalês, que tem uma folha de serviço reconhecida, in dicou os jogadores que irão integrar a equipa nos dois jogos para a DATA FIFA em Marrocos.
A primeira impressão que se tem é de que há algumas caras novas, incluindo oito jogadores do Girabola, entre estes um atleta do Luanda City, que acabou descendo de divisão.
Há, igualmente, a ausência de nomes habituais, alguns dos quais terão descartado a selecção nesta fase por razões pessoais, conforme se avançou, muito por conta da possível abertura dos mercados de transferência, lesões ou até mesmo de algum desconforto causado pelas polémicas palavras que terão sido ditas pelo Presidente da FAF depois do CAN passado. Para muitos, a escolha terá um sabor agridoce.
Porém, convém ressaltar que, longe dos nomes indicados, o facto de o técnico Aliou Cissé ter salientado que os jogadores que virão a integrar a sua equipa deverão ser patriotas acima de tudo. Claro está que não basta apenas nascer em Angola para se ser angolano. Pode ela ser adquirida.
Mas, não obs tante aisso, é preciso que aqueles que se sintam parte deste país possam fazer algo por ele na área em que se encontram ligados.
Um dos aspectos que muitas das vezes sobressai quando se vêem os jogadores em campo é uma certa falta de entrega, embora todos demonstrem que mereciam lá estar.
Só que fica muito distante que alguns dos presen tes sejam capazes de ‘comer capim’ pela camisola ver melha, preta e amarela que envergam. O patriotismo é, sim, essencial.
O peso da camisola deve ser demonstrado. Às vezes, coloca-se muito mais as condições financeiras à frente, mesmo naquelas situações em que se parece ter chegado o momento de demonstrar o que se sente verdadeiramente quando o ‘‘Angola Avante’’ é entoado.







