Em Angola, a palavra “crédito” divide opiniões. Para uns, é a alavanca que transforma um projecto numa empresa. Para outros, é a armadilha que transforma um sonho numa dívida sem fim. Com taxas de referência ainda na casa dos dois dígitos e exigências de garantias que parecem intransponíveis para quem está a começar, o acesso ao financiamento continua a ser um dos maiores estrangulamentos da economia real.
Mas a pergunta certa não é “por que é tão difícil?”. É “quando faz sentido aceitar?”. A matemática do crédito em Angola é implacável. Quando o custo do dinheiro é elevado, o em- préstimo só se justifica se a actividade financiada gerar um retorno superior à taxa efectiva praticada.
Um crédito para consumo (electrodomésticos, viagens, celebrações) é, na prática, antecipar o futuro com juros. Um crédito para produção (equipamento, stock, formação, expansão comercial) é investir no presente para multiplicar o amanhã. A linha que separa a alavancagem da asfixia não está no montante aprovado. Está no destino dos fundos e na capacidade de geração de fluxo de caixa.
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