O grupo Vozes do Nambua, da província do Bengo, está a reafirmar-se como um guardião da Cultura de Nambuangongo, equilibrando a tradição oral com a modernização da produção musical
O grupo folclórico Vozes do Nambua pretende abandonar o forma to físico (CDs) em favor de plataformas digitais e unidades USB (pendrives), visando maior compatibilidade com os leitores modernos, segundo o vocalista e director artístico, Rei Toy.
O músico assegurou que o foco principal desta formação artística se manterá na preservação linguística e na adaptação ao mercado digital, definindo assim a sua estratégia para os próximos anos.
O grupo está actualmente em fase de transição no modelo de negócio, devido à evolução tecnológica. E, actualmente, mantém a sua independência financeira através de apresentações em casamentos e eventos, e assim vai reinvestindo o que ganha na produção de novas músicas.
Um dos grandes objectivos actuais desta formação artística, segundo Rei Toy, é o lançamento da música “Muanangue”, visando incentivar o uso da língua Kimbundu entre os jovens para combater o ris co de desaparecimento do idioma que se prevê nas próximas décadas.
“O Kimbundu corre o risco de de saparecer nos próximos 20 anos, caso não o preservemos, não incentivemos as crianças a falar ou a conhecer o idioma. Hoje, até mesmo uma criança de 9 anos não fala kimbundu.
É grave, a língua vai-se perdendo aos poucos com os efeitos da globalização e ninguém faz nada para salvá-la A nossa música surge como um grito para que esse bem não morra”, disse.
Rei Toy referiu que, brevemente, o grupo enviará, para a estreia e promoção na Rádio Nacional de Angola, a música “Muanangue” do seu mais recente álbum em preparação, para situar o público e os fãs sobre o surgimento da nova obra discográfica.
Indagado quanto à identidade musical e ao processo criativo das canções, o músico afirmou que a base sonora do grupo é o Tchucula, um estilo típico da região, mas também incorporam inovações como o Ndembé e a Kabetula.
Já no que às letras das canções se referem, Rei Toy adiantou que são fruto de um árduo trabalho de investigação profunda da tradição oral, e de uma relação estreita com os mais-velhos e autoridades tradicionais (sobas) para recolher histórias e conselhos dos ancestrais, transformando esses pontos per tinentes em música.
O músico realçou que as suas com posições retratam o quotidiano das comunidades locais, abordando questões sociais críticas, o amor ao próximo e o respeito aos mais velhos, valorizando os bons costumes.









