A credibilidade do jornalismo não é um dado adquirido; é uma construção diária, sustentada por regras, instituições e, sobre tudo, por consciência ética. Em Angola, o apelo recente à intervenção da Comissão de Carteira e Ética dos Jornalistas surge num momento em que a liberdade de imprensa — consagrada na Constituição da República de Angola — precisa de ser reafirmada em equilíbrio com a responsabilidade social de informar.
O enquadramento jurídico angolano é claro: a Lei de Imprensa de Angola estabelece direitos, deveres e limites ao exercício do jornalismo. Não se trata de restringir a liberdade, mas de garantir que esta não se converta em desinformação, manipulação ou violação da dignidade humana.
A par disso, o Sindi cato dos Jornalistas Angolanos e a própria Comissão de Carteira assumem um papel estruturante na autorregulação da classe, funcionando como guardiões da ética e da confiança pública. Mas o Direito, por si só, não basta. A norma escrita precisa de encontrar eco na consciência de quem a aplica. E é aqui que o jor nalismo se eleva — ou se perde.
Porque informar não é apenas relatar factos; é escolher ângulos, palavras, silêncios. É decidir, a cada linha, entre a verdade e a conveniência. Num tempo em que a velocidade da notícia ame aça a sua profundidade, o rigor torna-se um acto de resistência.
Do ponto de vista psicológico, o jornalismo molda realidades internas. Aquilo que se publica não fica apenas no papel ou no ecrã — instala-se na percepção colectiva, influencia emoções, condiciona comportamentos. Narrativas reiteradas de conflito alimentam ansiedade social; discursos enviesados podem legitimar injustiças ou amplificar divisões.
Por: PEDRO NOGUEIRA SIMÕES









