A República de Angola e o Quénia deram mais um passo no fortalecimento das relações bilaterais no sector da saúde, com foco na formação de quadros, inovação tecnológica e construção de sistemas sanitários mais resilientes.
O compromisso foi reafirmado durante um encontro de alto nível entre a ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, e o seu homólogo queniano, Aden Bare Duale, realizado esta quarta-feira em Nairóbi.
A reunião, que decorreu nas instalações do Ministério da Saúde queniano, integrou inicialmente um encontro privado entre os dois governantes, seguido de uma sessão alargada com equipas técnicas de ambos os países.
Entre os principais temas em análise estiveram a formação de recursos humanos, o financiamento dos sistemas de saúde, o reforço dos cuidados primários, a regulação do sector e a aposta na digitalização e inovação tecnológica.
Durante o encontro, Sílvia Lutucuta destacou os avanços registados em Angola, com ênfase na expansão das infraestruturas sanitárias e no reforço do capital humano.
Segundo a governante, o país admitiu mais de 43 mil novos profissionais de saúde nos últimos anos, um crescimento de cerca de 43%, resultado de políticas públicas impulsionadas sob liderança do Presidente João Lourenço.
Um dos pilares dessa estratégia é o Programa Nacional de Formação de Quadros da Saúde, que prevê a especialização de 38 mil profissionais, privilegiando maioritariamente a capacitação interna.
A ministra sublinhou ainda os progressos tecnológicos, incluindo a realização de cirurgias de elevada complexidade, como a robótica, e os investimentos em curso para a criação de um centro nacional de tratamento do cancro.
Por sua vez, Aden Duale reconheceu os avanços angolanos e destacou a importância de transformar os acordos bilaterais, nomeadamente o assinado em 2023, em resultados tangíveis.
O responsável queniano apresentou também o modelo do seu país, assente na descentralização dos serviços, digitalização, financiamento sustentável e valorização dos cuidados de saúde primários.
Ambas as partes defenderam a necessidade de promover soluções africanas para desafios africanos, incentivando o intercâmbio técnico, científico e formativo entre os países do continente.
A retenção de quadros qualificados foi igualmente apontada como um dos principais desafios, num contexto de crescente competição internacional.
À margem da agenda oficial, a delegação angolana visitou o Kenyatta University Teaching, Referral and Research Hospital, onde teve contacto com práticas inovadoras nas áreas de oncologia, imagiologia avançada e medicina nuclear — experiências que poderão inspirar futuras iniciativas conjuntas.









