Ao longo dos anos, para conseguirmos viver minimamente em paz, fomos criando leis, normas, regras e filtros. Não por acaso, mas por necessidade. A convivência humana, sem algum tipo de ordem, rapidamente descamba para o caos. Imagine uma estrada sem sinais, sem semáforos, sem prioridade. Imagine uma sala de aula sem qualquer regra.
Imagine uma casa onde cada um faz apenas aquilo que quer, quando quer, sem considerar o outro. Seria insustentável. As regras existem porque precisamos delas. Elas organizam, protegem, limitam excessos e ajudam a garantir que a liberdade de um não atropele a do outro.
Até aqui, tudo certo. No meio de tantas normas que aprendemos, também fomos silenciando muita coisa que nasce de forma natural dentro de nós. O instinto, o impulso, a vontade crua, aquilo que sentimos antes mesmo de racionalizar.
Quem és tu quando ninguém está a ver? Ou melhor… quem serias tu se não houvesse medo de julgamento, de consequência, de reprovação? Se ninguém fosse descobrir, o que serias capaz de fazer? A pergunta parece simples, mas mexe.
Porque gostamos de acreditar que somos exactamente aquilo que mostramos. Mas será mesmo? Quantas vezes seguraste palavras que querias dizer? Quantas vezes sorriste quando querias gritar? Quantas vezes foste educado quando, por dentro, estavas em guerra?
Quantas vezes deixaste de fazer algo não porque era errado, mas porque tinhas medo do que iriam pensar? O ser humano vive constantemente nesse equilíbrio delicado entre o instinto e o controlo. Há quem chame maturidade.
Há quem chame repressão. Há quem nem saiba mais distinguir. Porque uma coisa é aprender a conviver. Outra coisa é viver tão preso aos filtros que já nem sabes onde ter mina a educação e onde começa a tua verdade. E atenção, não estou aqui a defender que devemos viver sem regras. Pelo contrário. Se cada um decidisse agir apenas pelo impulso, a sociedade seria um campo de batalha. O problema não está na regra. Está quando a regra mata completamente a consciência.
Quando já não fazemos o certo porque entendemos, mas apenas porque temos medo. Quando a moral depende da vigilância. Quando a bondade só existe por que há testemunhas. E isso é perigoso.
Porque revela que, muitas vezes, não somos bons… estamos apenas controlados. Se hoje retirassem todos os filtros, se ninguém pudesse julgar-te, se não houvesse consequência imediata… continuarias a ser a mesma pessoa? Ajudarias da mesma forma? Serias fiel da mesma forma? Respeitarias da mesma forma?
Ou existe uma versão tua que só não aparece porque a regra impede? Essa pergunta não é para acusar. É para despertar. Porque o verdadeiro carácter não está no comportamento vigiado.
Está na escolha silenciosa, na quela que ninguém aplaude e ninguém vê. Talvez a grande meta da vida não seja apenas obedecer às regras.
Seja construir dentro de nós princípios tão fortes que, mesmo sem regra, ainda escolheríamos o caminho certo. Porque aí deixa de ser medo e Passa a ser consciência. E, quando isso acontece, já não precisamos apenas de leis para nos manter humanos. Precisamos apenas de verdade.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”
N’gassakidila.








