Filho do Kongo, o teu testemunho atravessou os séculos. Hoje, a Igreja reconhece cada vez mais que a universalidade da fé não deve apagar as identidades culturais, mas dialogar com elas. Como viste essa tensão no teu tempo? Nsaku Nvunda.-Foi uma travessia difícil, Santidade. Em Roma, eu era visto como estrangeiro; no Kongo, como portador de uma fé que vinha de longe.
A minha missão foi traduzir, não, apenas palavras, mas mundos. A fé cristã necessitava aprender a dialogar em Umbundu, Kimbundu, kikongo, Ngangela, Nyaneka e outras, precisava vestir-se da nossa dignidade. Papa Leão XIV.-Hoje, chamamos isso de inculturação. Mas ainda lutamos para realizá-la plenamente. Em Angola contemporânea, vemos uma Igreja viva, mas também marcada por heranças coloniais. O que dirias aos líderes religiosos de hoje? Nsaku Nvunda.-Diria que escutem.
A escuta é o primeiro acto de diplomacia. Um povo não se converte ape nas por doutrina, mas por reconhecimento do outro. Quando a Igreja reconhece os nomes, os ritos e a memória de um povo, então ela deixa de ser estrangeira, onde o universal se converte ao local, isto se chama aculturação.
Papa Leão XIV.-E quanto ao poder? No teu tempo, a fé estava profunda mente ligada à política e à legitimidade dos podores. Nsaku Nvunda.-Sim, Sua Santidade. No Kongo, o poder não era apenas governar, mas equilibrar o visível e o invisível. A aliança com Roma também era estratégica. Hoje, creio que o desafio é outro, evitar que a fé seja instrumento de dominação, seja política, seja cultural. Papa Leão XIV.
Po: ISAÍAS DE LEMOS








