A amostra vai estar patente até ao dia 29 de Maio de 2026 e conta com um plano de visitas educativas para escolas, universidades e projectos socioculturais
A cidade de Luanda acolheu, nesta Quarta-feira, 22, a inauguração da exposição “Angola 75 – A Expressão Gráfica da Independência”, uma iniciativa desenvolvida a partir do acervo de impressos de José Julião e Jeredh Santos, em parceria com a Fundação BAI.
Segundo uma nota de imprensa da instituição, a que OPAÍS teve acesso, o corte simbólico da fita foi feito pela PCA da Fundação BAI, Inokcelina de Carvalho, na presença dos promotores José Julião e Jeredh Santos, da secretária de Estado da Cultura, Maria de Jesus da Piedade, em representação do ministro da Cultura, Filipe Zau, e outros convidados.
Na ocasião, a secretária de Estado da Cultura, Maria de Jesus da Piedade, considerou de grande relevância a iniciativa cultural promovida pela Fundação BAI, num espaço emblemático como é o Palácio de Ferro.
“Hoje não estamos apenas diante de uma exposição. Estamos diante de um encontro de memória, de um diálogo profundo entre o passado e o presente, entre o registo e a identidade, entre a imagem e a história”, frisou.
Por sua vez, a PCA da Fundação BAI, Inokcelina de Carvalho, valorizou a exposição nos seguintes termos: “Na Fundação BAI acreditamos que a memória é um poderoso instrumento de educação. É através desta que nós podemos nos tornar mais conscientes, aumentando o sentido crítico de pertença, principalmente quando somos expostos a ela de tenra idade. Nunca é tarde para se começar. Por isso, a cultura ocupa um lugar central na nossa estratégia, consubstanciando-se como um instrumento potente para educar, aproximar, promover a paz e inspirar essencialmente as novas gerações”, sustentou.
Com direcção artística, design expositivo e produção da Letras & Expressões, e consultoria de Íris Chocolate, a exposição resulta de uma pesquisa de acervo conduzida por Tila Likunzi e João António Mérito, contribuindo para uma abordagem clara e acessível do conteúdo apresentado.
O promotor Jeredh Santos, um dos colecionadores que dá vida à exposição, explica o significado desta amostra que revisita a expressão gráfica da independência:
“A exposição tem dois ou mais significados, quer como colecionador, quer como angolano. Penso que como angolano isto tem um sentido patriótico, que é o de fazer uma acção cultural em prol da independência, onde se pode ressaltar todo um esforço intelectual que não foi a guerra, um esforço intelectual feito para a conquista e para a manutenção da nossa soberania.
Queremos ressaltar o sentido patriótico que existe em cada um de nós, que de alguma forma foi graficamente expresso e se pode ver na exposição. É a materialização de um sonho. A gente coleciona vários artigos e muitos deles ficam só connosco em casa e nem a nossa família tem acesso às coisas por falta de interesse ou de oportunidade. Portanto, essa é a realização de um sonho, de poder expor artigos de interesse comum e sem fins lucrativos”.
Estão patentes nas diversas salas que compõem o Palácio de Ferro mais de 200 elementos do vasto acervo dos promotores e coleccionadores, como cartazes, notas em Kwanza, recortes de jornais, revistas, livros, discos, selos, mapas e outros, dispostos em vitrinas que destacam a utopia e a visão, o tempo colonial, a independência e a solidariedade, marcando de forma significativa os grandes momentos da história de Angola até aos nossos dias.
A exposição propõe ainda uma leitura aprofundada das camadas visuais, políticas e afectivas que marcaram o período entre 1960 e 1979, um dos mais decisivos da história contemporânea de Angola.
A partir de um recorte de acervo privado, “Angola 75” propõe uma leitura documental sobre o contributo de artistas, escritores, designers gráficos e editores nos debates políticos e culturais do seu tempo, destacando a cultura como espaço de reflexão e intervenção.
A Fundação BAI, enquanto parceira institucional da exposição, reafirma com este projecto o seu compromisso com a valorização da cultura, da memória e da educação como pilares do desenvolvimento social. Nesse sentido, a exposição contará com um plano de visitas educativas, especialmente concebido para escolas, universidades e projectos socioculturais que trabalhem com jovens.
O programa inclui visitas guiadas e momentos de mediação que procuram estimular o diálogo entre passado e presente, incentivando a leitura crítica das linguagens visuais e o debate sobre identidade, cidadania e memória colectiva.
A sessão inaugural foi marcada por um momento cultural proporcionado pela Banda Xiuca 61.








