A visita do Papa Leão XIV a Angola mexeu com tu do. Mesmo para quem não é católico, foi impossível ficar indiferente. As conversas, as imagens, os preparativos, as ruas cheias, as pessoas a caminharem com propósito… havia um ambiente diferente no ar, uma expectativa colectiva difícil de explicar.
Tive a oportunidade de acompanhar de perto, no Kilamba, e confesso que, mais do que o momento em si, o que me chamou a atenção foi tudo o que acontecia à volta.
O calor, a multidão, o movimento constante, gente a chegar de todos os lados, vendedores a organizarem-se, voluntários atentos, forças mobilizadas… e, no meio de tudo isso, um sentimento comum, estávamos ali por algo maior. E curioso como o tempo se comporta nesses momentos.
Para quem estava lá, parece que tudo passou rápido demais. Horas que pareciam minutos. A espera longa que, quando damos conta, já passou.
O momento que tanto se aguardava… acontece e termina quase sem avisar. E tu, onde estavas nesse momento? Foste apenas ver… ou foste sentir? No meio daquela multidão, houve algum instante em que te esqueceste de tudo o resto e simples mente estiveste ali, presente? Ou passou como mais um evento para contar? Porque há uma diferença grande entre assistir… e viver.
Enquanto isso, à volta, a vida também acontecia. Os comerciantes atentos, felizes, a aproveitar o f luxo. Água, comida rápida, bebi das frescas… tudo a circular.
Para muitos, aquele momento foi também uma oportunidade de sus tento, de ganho, de fazer mais num curto espaço de tempo. E está tudo certo.
A vida é feita dessas camadas. O espiritual e o material encontram se mais vezes do que pensamos. Vi também pessoas de várias crenças. Não católicos, curiosos, cépticos até… todos ali.
E isso diz mui to. Há momentos que ultrapassam rótulos, momentos em que o ser humano procura algo maior, mesmo sem conseguir explicar bem o quê. Talvez paz.
Talvez esperança. Talvez apenas sentir que faz parte de algo significativo. Mas, passado o momento, quando o palco se desmonta e a multidão se dispersa, fica o silêncio.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”
Por: N’gassakidila.









