Um dos maiores mistérios no continente africano prende-se com a morte. Embora estejamos inerentes a esta realidade desde que se chega ao mundo, a partida de um parente, amigo ou até mesmo desconhecido acaba por gerar inúmeras interpretações, algumas das quais até absurdas.
Na realidade, quem perde a vida no continente africano, por mais cristão que possa ter demonstrado ser ao longo dos anos de vida, as causas acabam por ingressar no mundo das superstições.
Morrer em África obriga sempre a que se encontre um culpado. Não importa se tenha sido por conta de uma condição de morbilidades preexistentes ou até de outras fulminantes que possam ocorrer nos últimos dias da vida do malogrado.
Nem mesmo os que são vítimas de acidentes de viação estão isentos deste imbróglio, deixando-se de lado as verdadeiras causas, que passam até pelo excesso de velocidade, mau estado das vias ou dos próprios veículos, para se imputar responsabilidades a parentes directos ou até desconhecidos.
Só por isso se percebe que, independentemente das razões, casais, famílias inteiras e até organizações acabam afastados por conta de acusações nefastas, algumas das quais impossíveis de serem provadas caso alguns dos que defendem tais narrativas – em público ou privado – fossem chamados à justiça.
Lembro-me como se fosse hoje de um acontecimento em que um político, segundo se disse, na altura, terá perdido a vida na sequência de um encontro amoroso que manteve num recinto em Luanda.
Apesar de se ter provado que tivesse tido um ataque supostamente depois de um ‘combate’, ainda assim os seus parentes insistiam na tese de que este tivera sido vítima de qualquer acção por parte de antigos políticos desavindos.
Naquela fase, contou-me uma pessoa próxima, só não se avançou a causa de forma pública porque se tornara necessário preservar a imagem do malogrado, assim como da própria família.
Em Angola, nos últimos tempos, vai-se, de forma perigosa, criando a narrativa de que se está diante de algumas acções de queima de ficheiros, onde se vai também procurando identificar culpados inexistentes, tudo porque alguns não comungam dos mesmos ideais políticos.
Começam a ser apontados até a políticos a autoria de alguns destes escritos, largamente disseminados por gente irresponsável. Quase se chega mesmo ao cúmulo de querer atribuir a imortalidade a muitos cidadãos, sejam eles políticos ou integrantes de outras franjas económicas e sociais, desrespeitando a memória destes que, se calhar, gostariam que, no dia em que partissem, fossem mais lembrados pelas coisas boas que terão feito.
A todos aqueles que, infelizmente, passam por isso, as nossas sinceras condolências aos familiares, que, se possível fosse, não se inibissem em levar à justiça aqueles que atentam contra a honra dos seus parentes.








