Se recuarmos até Dezembro do ano passado, ou somente às últimas reuniões do Comité Central do MPLA, o quadro que muitos desenhavam em torno do Congresso que se avizinha era dantesco na visão de muitos, sobretudo dos seus principais adversários políticos. Sem papas na língua, como se soe dizer, muitos vaticinavam um conclave em que um dos candidatos iria concorrer a solo sem qualquer hipótese de que se pudesse observar um oponente.
E muitos, mesmo não pertencendo às estruturas do maioritário, conjecturavam cenários que mais pareciam filmes de ficção, como se até tivessem sido os próprios a escrever o roteiro do que virá em Dezembro deste ano. Antes mesmo de se ter soado o gongo e ter sido convocado o conclave dos dias 8, 9 e 10 de Dezembro, já era sabido que, na praça pública, havia alguns militantes que se haviam prontificado a concorrer em qualquer circunstância.
Através de escritos em jornais, entrevistas em rádios e, sobretudo, nas redes sociais, quase que já se sabe o que pretendem, estando igualmente patente que ideias terão para o país, caso um dia cheguem ao posto de Presidente da República.
Nos últimos dias, aumentaram as intenções de candidaturas, algumas das quais já terão sido manifestadas à própria subcomissão que vai liderar o referido processo. Prevê-se, para o próximo congresso dos camaradas, o nascimento de um novo ciclo que vai fomentar ainda mais o processo democrático em construção no país, do qual o partido no poder tem enormes responsabilidades.
Entre supostos pesos-pesados e militantes de base, ainda veremos surgir outros pretensos candidatos, embora se saiba à partida que poucos serão aqueles que terão fôlego suficiente para manter as suas aspirações até pertinho da reta final. Na verdade, mais do que simples pretensões, a aceitação das candidaturas dependerá do cumprimento dos requisitos estabelecidos pela subcomissão de candidaturas, sendo a mais difícil, como já se aventa, a reunião das cinco mil assinaturas, algumas das quais noutras províncias.
Longe da simples vontade política, o capital e meios logísticos serão factores ‘sine qua non’, muitos não conseguirão sequer auspiciar altos vôos.
Pelos nomes que se vão apresentando, alguns não terão problemas em ter equipas a calcorrear o território em busca de assinaturas, mas a questão da idoneidade política, incluindo daqueles com que estão ligados por laços de consanguinidade ou outras formas, acabara igualmente por minar o sonho de liderar um dos maiores partidos do continente africano.
Por enquanto, todos poderão sonhar. E a certeza é que, em Dezembro deste ano, no Centro de Conferências de Belas, o MPLA se reunirá para eleger o seu presidente num conclave em que as múltiplas candidaturas deverão marcar o encontro, porém, a decantação no leque de candidaturas, se cumpriram ou não os requisitos, assim como se as folhas de serviço a nível do partido são limpas, é que determinará quem pode ou não entrar, verdadeiramente, no jogo.









