A Orfandade do Eu é um estado de vazio interior, onde a falta de auto-estima e a distorção da autoimagem nos fazem indagar o nosso próprio valor. É como se estivéssemos a residir num mundo que valoriza mais a fama e a per feição, esquecendo-se da beleza da individualidade, da integridade e da autenticidade. Angola vivência um episódio lastimável, pois o seu tanque emocional de amor se encontra vazio.
Faz tudo por tudo para estar no centro do mundo e, mui tas vezes, esse tudo é desnecessário e sem estratégia. É só ver mos desde a chegada do Messi até a do Will Smith: o país parou, dirigentes deixaram os seus afazeres para ir ao encontro dessas celebridades.
Outros internautas até usavam IA para criar fotos com esses astros, demonstrando não apenas uma admiração, mas, sim, uma adoração/idolatria. Essas acções neófitas só demonstram o quanto estamos em sentido emocional e o quanto dependemos de opinião de ou trem para nos sentirmos valorizados. Perdemos muito tempo e investimento em promover artistas de fora, até parece que o talento é medido por raça ou nacionalidade. Por outro lado, será que os
nossos artistas também são recebidos dessa forma aquando da sua chegada e actuações noutro país?! Claro que não. Então, cadê o nosso valor, cadê o nosso potencial?! A falta de auto-estima faz-nos duvidar da nossa capacidade e faz-nos buscar validações externas.
A distorção da auto-imagem faz-nos crer que não somos bons o suficiente. É hora de resgatar a nossa alma e celebrar a nossa identidade. Como afirmo no artigo «A filosofia do Milho de Pipoca»: “A pressa em alcançar resulta dos rápidos revela, muitas vezes, uma crise de identidade, por que quem não conhece o seu valor acaba por aceitar qualquer moeda em troca da sua dignidade.
”Que todos nós gritemos em uníssono: Angola, acorda! Angola, saía da caverna! Angola, deixe de viver de aparência. Sim, deixe de viver de aparência. Isso não é normal, com tantos caos para resolver, gastamos muita pecúnia por capricho.
Isso quer dizer que de vemos apostar/investir mais no nosso capital humano de modo que possam representar-nos fora e revelar mais outras pessoas. Angola está cheia de talentos, mas esses não são caçados pois, não têm links.
Estaremos sempre a viver numa Filha da Pátria enquanto o passaporte for link, recomendação e ser filho de X. Cuidado: questionar não é rebel dia, é consciência! Dado o exposto, é hora de nós as sumirmos a responsabilidade de valorizar os nossos talentos e promover a nossa cultura.
Por: Daniel Sakovi
Professor de Língua Portuguesa e formador de Oratória e Comunicação.








