Nos dias que correm, aumentam, nos vários cantos da capital, os casos de trabalho infantil, alguns dos quais denunciados e constatados pelo Instituto Nacional da Criança (INAC). Entrevistados por este jornal, os menores falam da carência na família e a necessidade de se tornarem independentes financeiramente, apesar da tenra idade
As cantinas, na sua maioria pertencentes a cidadãos estrangeiros, têm sido um dos espaços que mais acolhem os menores de idade para exercer a actividade laboral sem que haja um contrato formalmente assinado. Nestes estabelecimentos, os “trabalhadores juniores” são responsáveis por atender aos clientes, controlar o negócio na ausência do patrão e manter o espaço organizado, recebendo, em troca disso, uma remuneração ao fim de cada mês.
A este jornal, Luís Mário, menor de 16 anos, conta que, pelos clientes atendidos diariamente e o controlo do negócio na ausência do patrão, aufere 15.000 kwanzas mensalmente. Este menor, de quem o rosto não será exibido tal como dos demais, é residente no município do Sambizanga, propriamente no Dimuka, onde nasceu e hoje trabalha. A necessidade levou Luís, segundo de oito filhos, à cantina, onde trabalha já há um mês e meio.
“Conheci o meu patrão aqui, quando, certo dia, vim à cantina e ele perguntou se eu queria trabalhar. Já que estava mesmo a precisar de alguns valores, decidi aceitar”, frisa o adolescente, garantindo que é bem tratado pelo patrão, que lhe garante alimentação. No que toca aos progenitores, Luís garante que têm noção do trabalho que faz, mas que em nada se opõem, muito pelas condições precárias em que vivem. A mãe, como relata o atendedor, é vendedora e o pai trabalha com chineses nos armazéns de roupas dos fardos.
POR: Germano Notícia
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