Moradores de vários bairros periféricos do município do Lucapa, província da LundaNorte, vivem sem acesso a serviços básicos como água potável, escolas e centros de saúde, situação que tem obrigado muitas famílias a percorrer longas distâncias para garantir educação e assistência médica
Em algumas localidades, crianças nunca frequentaram a escola. Para consumir água, os moradores percorrem quilómetros até ao rio ou compram um bidão de 20 litros por 400 kwanzas. Já para receber assistência médica, muitos têm de caminhar mais de três horas até à sede municipal.
No bairro Bungula, a principal actividade da população é a agricultura de subsistência. Homens e mulheres dedicam-se ao cultivo para garantir a alimentação e alguma renda familiar. As mães trabalham nas lavras acompanhadas pelos filhos, uma vez que muitas crianças não frequentam a escola por falta de infra-estruturas na localidade. Algumas famílias optam por enviar os menores para viver com parentes na sede municipal do Lucapa, onde existem escolas.
Palmira de Lurdes, de 33 anos, conhecida na comunidade como Mira, é uma das moradoras que enfrenta esta realidade. Mãe de três filhos, um de 14, 10 e um de poucos meses de idade, conta que os dois mais velhos nunca frequentaram a escola por falta de condições. “Eu trabalho na lavra.
Quando não estou na minha, vou trabalhar na lavra de outras pessoas para ganhar algum dinheiro”, contou. A reportagem do jornal OPAÍS encontrou Palmira durante uma acção de transferência social monetária realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Local (FAS), no âmbito do programa Kwenda, do qual é beneficiária.
Segundo ela, pretende utilizar parte do dinheiro para comprar ferramentas agrícolas e ajudar o filho mais velho a estudar. “Vou comprar uma enxada, mas também uma bata para o meu filho.
Vou mandar ele para o Lucapa, para ficar com os meus irmãos e estudar”, disse. Palmira afirma que o maior sonho da comunidade é ver construída uma escola primária, um chafariz e um posto de saúde no bairro.
Outro morador do bairro Bungula, Baptista Pangas Faita, também agricultor, explicou que o sustento da família depende do trabalho no campo. Com o apoio do programa Kwenda, pretende ajudar a custear as despesas escolares dos filhos, que vivem durante a semana na sede municipal.








