O valor de investimentos publicitários que o Estado angolano arrecadou, no ano passado, foi de aproximadamente 90 mil milhões de kwanzas, provenientes das empresas de divulgação registadas na Direcção Nacional de Publicidade, informou, nesta Quarta-feira, o director Nacional de Publicidade, José Matuta Cuato
Em declarações à imprensa, à margem do workshop “O Poder da Informação na Mídia OOH”, que decorreu em Luanda, o director afirmou que o valor arrecadado é por tabela, ou seja, de empresas de publicidade que estão sob o domínio pleno do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).
De acordo com José Matuta Cuato, neste momento, o MINTTICS tem registadas cerca de 489 empresas do ramo de publicidade. Mas, dentro deste número de empresas registadas, sublinhou, existem cerca de 12 na classe de concessionárias, que são as detentoras de outdoors, que não se encontram sob o controlo total do Estado. Porém, em relação ao ano de 2024, o responsável revelou que houve um decréscimo elevado do valor arrecadado, sobretudo nas mídias outdoors, devido à evolução e da preferência dos clientes em publicitar nas plataformas digitais.
”Houve um decréscimo muito grande, há algumas empresas que fecharam. Outras vão tentando recuperar, portanto, por causa mesmo dessa imigração que tem havido em termos de preferência de comunicação das marcas nas redes sociais e na internet”, lamentou.
Em termos percentuais, afirmou que a quebra no investimento da publicidade na mídia OOH, que é a divulgação externa, está na ordem dos 33 a 34%, o que de certa forma também tem deixado os clientes aflitos.
Entretanto, o responsável destacou como um dos principais desafios desta queda a incapacidade de se calcular as medições das audiências nas publicidades em outdoors, ao contrário do que acontece com outros meios de comunicação de massa, como é o caso da televisão, da rádio, dos portais de internet e redes sociais.
”Por força de algumas restrições que o próprio regulador vai impondo ao mercado, às marcas, algumas vão investindo cada vez mais no outdoor, mas acontece que no outdoor, por vezes, as empresas têm dificuldades de medições”, referiu. Considerou que essa necessidade de mensurar o nível da audiência é essencial tanto para as marcas, para auxiliar na estruturação de novas estratégias de comunicação, como para o Executivo, na criação de novas políticas.
”Vai permitir que nós, enquanto reguladores, possamos aprimorar, ajudar o próprio executivo na formulação, na estruturação de políticas públicas, mas também na estruturação de campanhas institucionais”, afirmou.
Os objectivos do workshop
De acordo com Cândida Silva, directora-geral da Ango Research, empresa organizadora do evento, o encontro teve como objectivo capacitar todos os players do sector publicitário sobre as dinâmicas que o mercado tem registado nos últimos tempos, de modo a que se siga o ritmo competitivo que registam em outras realidades.
Cândida Silva referiu que um dos principais desafios no mercado da publicidade tem que ver com a falta de métricas, de empresas que usem padrões fiáveis e credíveis, e que dêem os valores reais.
Para o efeito, a directora aconselhou as empresas a reforçarem o investimento para terem acesso à plataformas que consigam calcular as medições das publicidades. ”São, normalmente, plataformas internacionais e que requerem um investimento alto a nível de publicidade”, destacou.
Contribuição da publicidade no PIB
Não obstante ter citado a queda registada no sector publicitário devido ao avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, o director Nacional de Publicidade também falou da contribuição que este subsector do MINTTICS dá ao PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
Segundo o responsável, o mercado publicitário tem registado crescimento, contribuindo, actualmente, com cerca de 3,2% do PIB. ”Mas temos a convicção de que esse mercado pode contribuir mais para o crescimento da economia, sobretudo, para a geração de novos postos de trabalho”, augurou.
De acordo com o director José Matuta Cuato, as empresas publicitárias na mídia OOH acompanham a movimentação do consumidor, actuando não só na capital do país como também em outros cantos de Angola. Citou os grandes centros de consumo, as províncias de Benguela e da Huíla, afirmando que cada província possui mais de 50 posições de outdoors.








