A nacionalista e tenente-general na reforma, Engrácia Cabenha, conhecida como Rainha do 4 de Fevereiro, defendeu que a juventude angolana deve conhecer, respeitar e preservar o legado dos nacionalistas da Luta Armada de Libertação Nacional, para compreender como foi conquistada a Independência do país
A histórica combatente foi uma das oradoras do painel que abordou o tema “O 4 de Fevereiro de 1961: contexto histórico e causas”, durante o ciclo de palestras alusivo ao 65.º aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional.
O evento decorreu sob o lema “Preservando os Valores da Pátria, honremos os nossos heróis”, na última Sexta-feira (27), em Luanda. De forma animada e descontraída, Engrácia Cabenha recordou que a conquista da Independência não foi fácil.
“Muitos morreram em nome de Angola, outros foram escravizados. O angolano não podia falar. Houve revolta e muita coragem para enfrentar o colono português que escravizava o povo”, afirmou.
A nacionalista sublinhou que as novas gerações precisam de conhecer, em detalhes, o surgimento da Luta Armada de Libertação Nacional e os sacrifícios feitos para a conquista da Independência e da bandeira nacional.
Engrácia Cabenha contou que tudo começou quando ainda era adolescente, com apenas 12 anos, integrando, na clandestinidade, o grupo de nacionalistas que recebia orientações directas do então líder do movimento, António Agostinho Neto.
Segundo a nacionalista, conciliava as actividades políticas com a aprendizagem da costura e as tarefas domésticas. Referiu também que os integrantes do chamado “Processo dos 50” já se encontravam presos politicamente naquela altura.
“Nós precisávamos da Independência porque estávamos fartos da escravatura. Não tínhamos nada, éramos chamados de indígenas na nossa própria terra e não podíamos estudar”, recordou.
A nacionalista afirmou que integrou um grupo de cerca de três mil homens, sendo a única mulher na equipa de avanço. Pela sua coragem e bravura, foi baptizada como Rainha do 4 de Fevereiro.








